Alianças estratégicas

Flávio Bolsonaro enfrenta resistência de aliados no Nordeste para endossar candidatura

Flávio Bolsonaro em evento político no Nordeste.
Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta dificuldades para obter apoio de aliados no Nordeste para sua candidatura presidencial.

Lideranças políticas regionais evitam compromisso explícito com senador, temendo custo político em estados onde Lula obteve maioria expressiva em 2022. Aliados priorizam campanhas locais.

A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) encontra dificuldades para mobilizar lideranças do Nordeste em seu favor. Apesar das alianças estratégicas firmadas pelo PL na região, o partido enfrenta barreiras para converter aliados locais em verdadeiros cabos eleitorais do senador.

Especialistas em política apontam que pré-candidatos a governos estaduais no Nordeste relutam em assumir compromissos públicos com a campanha de Flávio Bolsonaro. A eleição de 2022, na qual Lula (PT) obteve expressiva vitória em todos os estados nordestinos com 69,3% dos votos na região, sinaliza um cenário politicamente adverso para associações explícitas com o bolsonarismo.

Marcos Paulo Campos, do Observatório da Política do Nordeste, explica que essas alianças não se traduzem em prestígio para Flávio Bolsonaro, resultando em menor empenho e identificação por parte dos aliados. Essa resistência limita o crescimento da candidatura bolsonarista na região, onde Lula mantém vantagem significativa nas pesquisas de intenção de voto, tanto no âmbito nacional quanto especificamente no Nordeste.

No Ceará, Ciro Gomes (PSDB), que lidera pesquisas para o governo em aliança com PL e União Brasil, tem evitado o compromisso com Flávio Bolsonaro. Sua posição tem sido a de defender a liberdade das legendas para definir suas candidaturas presidenciais. Apesar de negociações tensas, que incluíram críticas de Michelle Bolsonaro, a chapa de Ciro para o governo e Senado busca viabilizar um espaço para o PL, embora o foco principal seja a disputa estadual.

Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD), reeleita com apoio do PL, tem se distanciado estrategicamente do partido, aproximando-se do presidente Lula. A gestão estadual não deu espaço relevante a nomes bolsonaristas, e lideranças do PL enfrentam fragmentação, focando agora em eleições proporcionais. A saída de nomes importantes para outras siglas enfraqueceu o partido no estado.

A Paraíba apresenta um dos palanques mais estruturados do bolsonarismo no Nordeste, com o senador Efraim Filho (PL) pré-candidato a governador e Marcelo Queiroga ao Senado. A filiação de Efraim ao PL foi vista como parte da estratégia para dar capilaridade à candidatura presidencial. Contudo, o ambiente eleitoral na Paraíba permanece favorável a Lula, e aliados tendem a priorizar campanhas estaduais, com uma aproximação controlada ao candidato presidencial.

Em contrapartida, Piauí, Bahia e Maranhão, estados onde Lula obteve vitórias contundentes em 2022, apresentam cenários menos favoráveis ao PL. No Piauí, Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para encontrar um aliado competitivo. Na Bahia, o PL integra a chapa de ACM Neto (União Brasil), mas o pré-candidato já sinalizou apoio a Ronaldo Caiado (PSD), comprometendo o palanque de Flávio. No Maranhão, o partido não dispõe de um palanque forte, mas tem histórico de desempenho em eleições proporcionais.

Sergipe e Alagoas registraram perda de lideranças do PL, o que enfraqueceu o partido. Em Sergipe, a decisão nacional de entregar o comando estadual a um deputado específico gerou a saída de nomes importantes. Em Alagoas, a saída de JHC para o PSDB diminuiu o potencial de um palanque robusto. Já no Rio Grande do Norte, o PL ampliou sua presença com a filiação do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias, que concorre ao governo, mas a consolidação de alianças amplas ainda é um desafio.

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