INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NAS URNAS

Eleitores reprovam uso de IA em campanhas, aponta pesquisa Quaest

Ilustração conceitual de inteligência artificial aplicada ao contexto eleitoral.
Pesquisa aponta alto índice de rejeição ao uso de ferramentas de IA por parte de candidatos nas eleições de 2026.

Levantamento mostra que 73% do público rejeita tecnologia nas eleições; Tribunal Superior Eleitoral debate limites após uso de deepfakes.

A maioria dos eleitores brasileiros desaprova a utilização de ferramentas de inteligência artificial nas campanhas eleitorais. A tendência foi consolidada em pesquisa realizada pela Quaest sob encomenda da Globo e do jornal O Globo, divulgada em 17/08/2026, revelando o temor da população diante de tecnologias que podem manipular a imagem e a voz de figuras públicas.

O levantamento aponta que 73% dos consultados rejeitam o uso da IA, enquanto apenas 21% aprovam a prática. O índice de resistência é ainda mais expressivo entre o público feminino, que registra 78% de desaprovação, comparado a 69% entre os homens. A rejeição atravessa diferentes espectros ideológicos, variando de 69% a 79% conforme o alinhamento político declarado.

A coleta de dados ouviu 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais. O debate sobre a regulamentação dessas ferramentas ganhou urgência após o uso de um vídeo gerado por tecnologia que simulava o ex-presidente Jair Bolsonaro, o que motivou uma ação do PT junto ao Tribunal Superior Eleitoral. A legenda aponta possível propaganda antecipada e violação das normas vigentes sobre deepfakes.

O Tribunal Superior Eleitoral agendou uma reunião para tratar do tema nesta terça-feira (18). Atualmente, a legislação permite o uso de IA desde que haja identificação clara da tecnologia e da ferramenta utilizada, sendo terminantemente proibida a criação de conteúdos falsos, discursos de ódio ou manipulações que coloquem em risco a integridade do processo democrático.

Entre as diretrizes de 2026, destacam-se a proibição de circulação de materiais gerados por IA nas 72 horas que antecedem o pleito e nas 24 horas seguintes. Além disso, plataformas como o ChatGPT e o Gemini estão proibidas de realizar ranqueamento ou recomendação de candidaturas, garantindo que a escolha do voto permaneça sob o controle direto do cidadão.

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