Opinião:

Allyson mostra a Kelps que tem a ingratidão como marca na política

Allyson mostra a Kelps que tem a ingratidão como marca na política
Kelps Lima recebe como apoio o silêncio de Allyson Bezerra

Na vida pública, assim como na vida privada, a verdadeira grandeza não está apenas em vencer eleições ou alcançar cargos elevados. Ela também se revela na capacidade de reconhecer quem caminhou ao lado nos momentos mais difíceis.

Há valores que sustentam as relações humanas muito antes de qualquer projeto político: lealdade, gratidão e reconhecimento. Quando esses princípios são abandonados, o que permanece é apenas o cálculo frio da conveniência.

O episódio envolvendo o pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Allyson Bezerra, e o ex-deputado Kelps Lima suscita uma reflexão que vai além das disputas eleitorais. Kelps foi um dos principais responsáveis por abrir espaço para Allyson na política estadual, apostando em seu potencial quando poucos acreditavam em seu futuro. Mais recentemente, quando Allyson enfrentou um dos momentos mais delicados de sua trajetória pública, foi Kelps quem se colocou ao seu lado, defendendo a presunção de inocência e oferecendo solidariedade sem hesitação.

Agora, a situação se inverte. Após anunciar sua desistência da disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados, em um contexto de dificuldades políticas dentro do próprio partido, Kelps não recebeu do aliado qualquer manifestação pública de apoio ou reconhecimento. O silêncio, em política, também comunica. E, muitas vezes, fala mais alto do que qualquer discurso.

A gratidão é uma das mais nobres virtudes porque demonstra respeito pela história construída ao lado de outras pessoas. Seu oposto, a ingratidão, revela a incapacidade de reconhecer quem estendeu a mão nos momentos decisivos. Não se trata de obrigação política, mas de compromisso moral.

A política é dinâmica, alianças mudam e interesses se reorganizam. Isso faz parte da democracia. O que não deveria mudar são os valores que definem o caráter de um líder. Afinal, quem esquece facilmente aqueles que o ajudaram a subir transmite à sociedade a impressão de que as pessoas são importantes apenas enquanto são úteis.

Mais do que um episódio entre dois aliados, o caso convida à reflexão sobre o tipo de liderança que se pretende construir. O poder pode ser conquistado com estratégia e habilidade, mas a confiança é edificada com gestos de lealdade e reconhecimento. Quando a gratidão desaparece, abre-se espaço para a percepção de que os relacionamentos foram apenas instrumentos de um projeto pessoal.

Na vida pública, assim como na vida privada, a verdadeira grandeza não está apenas em vencer eleições ou alcançar cargos elevados. Ela também se revela na capacidade de reconhecer quem caminhou ao lado nos momentos mais difíceis. A história costuma lembrar não apenas os vencedores, mas também a forma como trataram aqueles que contribuíram para suas vitórias.

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