ACADEMIA DIGITAL

Instituições de ensino regulam uso de IA por alunos

Estudantes universitários utilizando inteligência artificial com diretrizes claras para uso ético e responsável.
Universidades estabelecem regras para o uso de IA na educação — Foto: Reprodução/TV Globo

Evitar fraudes e estimular o senso crítico são os focos das novas regras publicadas hoje.

Em resposta à crescente integração da inteligência artificial no ambiente acadêmico, diversas instituições de ensino superior no Brasil, como a Federal da Bahia e a Universidade Estadual Paulista, estabeleceram novas regras de conduta para o uso da IA por seus alunos. A medida, que já se reflete em manuais e guias publicados por essas universidades nesta quarta-feira, 22/04/2026, busca preservar a integridade do processo de aprendizagem e o desenvolvimento do senso crítico dos estudantes, evitando que a tecnologia se torne um atalho para a cópia em vez de uma ferramenta de aprimoramento.

A linha entre o auxílio e a substituição é o cerne das novas orientações. Criar um TCC completo sobre aceleração de partículas com a IA é vetado, por exemplo. Contudo, pedir que a ferramenta faça uma revisão gramatical de um texto, oferecendo sugestões pontuais de melhoria, é um uso permitido. O objetivo das universidades é claro: impedir que a tecnologia atrapalhe o desenvolvimento educacional.

"O que a gente quer é justamente que o aluno aprenda, que ele desenvolva um senso crítico, que ele saiba utilizar", reforça Adriano Peixoto, professor e membro da comissão de IA da UFBA, que elaborou o guia da instituição.

Na Universidade Estadual Paulista, a Unesp, os estudantes podem utilizar a inteligência artificial para traduzir textos, resumir conteúdos ou criar cronogramas. No entanto, é proibido apenas copiar e colar a resposta gerada pela IA. Usar essas ferramentas durante uma prova sem autorização é considerado fraude acadêmica. A mensagem é que a IA deve atuar como um assistente, não como um substituto do trabalho do estudante.

"É muito mais fácil você auxiliar o aluno de como você usa ferramenta para ser uma potência no seu estudo e uma potência na sua pesquisa do que só deixar o aluno solto e o aluno simplesmente copiar coisas", conta Isabela Silverio, estudante, ressaltando a importância do uso consciente.

A transparência é uma regra fundamental: sempre que a IA for utilizada em um trabalho, o aluno deve indicá-la claramente no final do texto. "Eu peço para inteligência artificial fazer uma varredura de artigos ou de textos que digam respeito à proposta do trabalho que eu estou fazendo. A IA ela nem sempre está certa", explica Felipe Sarlo, estudante, que utiliza a ferramenta como apoio à pesquisa.

Em instituições como a Federal da Bahia, o professor pode exigir que o estudante detalhe o comando dado à IA e a resposta obtida. A Unifesp, por sua vez, determina que todos os pesquisadores da pós-graduação informem qual ferramenta foi usada e com qual finalidade.

A fiscalização do cumprimento dessas regras representa um desafio. "Existem ferramentas hoje disponíveis que indicam se o texto foi gerado por IA ou não. O problema é que isso pode gerar falsos positivos. Ou seja, ele pode dizer que um texto foi gerado por IA, mas ele não foi", alerta Luiz Leduíno de Salles Neto, professor do ICT/Unifesp.

Especialistas apontam que o caminho para uma convivência ética com a IA na educação passa pela corresponsabilidade de alunos e professores, e pela adaptação das práticas pedagógicas. "A sociedade vai se transformar com o advento do uso da inteligência artificial. Então é evidente que a prática pedagógica muda. Eu acho que tem que ter dinâmicas em sala de aula em que os alunos se expressem. Os alunos têm que conversar entre si e apresentar os resultados dessas interações com essas ferramentas", pondera Fernando Floriano, professor e pesquisador da Unesp.

Paralelamente, o Conselho Nacional de Educação trabalha na formulação de diretrizes nacionais para o uso de IA em todas as etapas de ensino, com a versão final prevista para publicação até o meio do ano.

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