Grupo Petrópolis da cerveja Itaipava tenta sobreviver após dono ser preso

A COMPANHIA PASSOU A SER CONSIDERADA UM ATIVO “TÓXICO” PELOS EVENTUAIS INTERESSADOS EM COMPRAR A CERVEJARIA, COMO AS RIVAIS HEINEKEN E FEMSA. FOTO: REPRODUÇÃO

Walter Faria, proprietário do Grupo Petrópolis, segunda empresa de cerveja mais valiosa do Brasil, se entregou à Polícia Federal (PF), em Curitiba (PR), em agosto deste ano. O empresário é alvo da Operação Rock City, 62ª fase da Operação Lava Jato, e estava foragido desde o dia 31 de julho. Entre as marcas da bebida alcoólica que fazem parte do conglomerado de Walter, estão: Itaipava, Crystal, Lokal Bier, como cervejas mais populares.

O empresário teve um mandado de prisão preventiva expedido por suposto esquema de pagamento de propinas disfarçadas de doações eleitorais e operações de lavagem de dinheiro feitas pelo grupo, da marca de cerveja Itaipava. Segundo as investigações, o Grupo Petrópolis teria auxiliado a empreiteira Odebrecht a pagar propina por meio da troca de reais no Brasil por dólares em contas no exterior.

A prisão de Faria fez a companhia passar a ser considerada um ativo “tóxico” pelos eventuais interessados em comprar a cervejaria, como as rivais Heineken e Femsa, engarrafadora da Coca-Cola. Fundos estrangeiros também teriam interesse na cervejaria. Se por um lado a empresa atrai interesse de concorrentes e de grupos estrangeiros por causa de seu crescimento. De outro, os investidores se preocupam com os intrincados problemas judiciais do grupo.

“Depois de toda a consolidação do setor, é raro encontrar um ativo relevante de cerveja disponível em um mercado como o Brasil. É esse o ponto de atração da Petrópolis”, diz um empresário do setor de bebidas.

Procurada, a Petrópolis afirma que a venda do controle do negócio ou a busca de um sócio estão totalmente descartadas.

Liderança

Apesar de Walter Faria estar na prisão há 120 dias, o discurso do Grupo Petrópolis é de que a empresa está relativamente blindada da crise. A filha do fundador, Giulia, está interinamente à frente da companhia, amparada por cinco executivos da empresa.

A meta da defesa do empresário é reverter a prisão preventiva antes do recesso judicial de dezembro, apurou o Estado com fontes a par do assunto. A equipe legal de Faria inclui os advogados Paulo Campoi e Cleber Lopes, sócio do escritório Lopes & Versiani. O ex-ministro do STJ Paulo Gallotti se juntou recentemente ao time. Procurados, os advogados não retornaram aos pedidos de entrevista.

Embora a companhia repita que não tem intenção de buscar um comprador ou um sócio – a reportagem apurou que a equipe fiel a Faria aguarda com ansiedade o retorno do fundador -, outros grupos já começam a se posicionar caso o empresário permaneça mais tempo na cadeia e a situação do negócio se deteriore.

Entre os potenciais compradores estão a Heineken, a Femsa (engarrafadora da Coca-Cola) e o fundo Farallon, que investe em ativos em dificuldades na América Latina e já fez um empréstimo de R$ 1,2 bilhão à Petrópolis.

Conforme quatro fontes consultadas pelo Estado, os potenciais compradores têm algo em comum: só estão dispostos a comprar 100% do negócio para se blindarem de eventuais problemas com a Justiça que uma sociedade com o empresário poderia acarretar.

Procurados, Heineken, Femsa e Farallon não comentaram. O grupo SABMiller, antes de se associar à gigante ABInBev, chegou a avaliar a aquisição da Petrópolis, mas o negócio não foi adiante.

Com informações: O Estado de S. Paulo

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