CRIMINALIDADE NO RN
Comando Vermelho avança no RN e enfraquece o Sindicato do Crime
Promotor Sílvio Brito, do MPRN, detalha migração de integrantes e o enfraquecimento do Sindicato do Crime (SDC) diante do avanço territorial do Comando Vermelho (CV).
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) documentou um avanço territorial significativo do Comando Vermelho (CV) no Estado. A análise, coordenada pelo promotor de Justiça Sílvio Brito, da Promotoria de Delitos de Organizações Criminosas, aponta um consequente processo de enfraquecimento do Sindicato do Crime (SDC), organização criminosa que surgiu no Rio Grande do Norte após a rebelião no Presídio Estadual de Alcaçuz, em 2017. A migração de integrantes da facção potiguar para o grupo criminoso de origem fluminense é uma tendência observada, o que pode levar ao desaparecimento do SDC nos próximos anos, conforme entrevista concedida por Brito à TV Tropical.
“Cada vez tem mais elementos passando para o Comando Vermelho. E uma tendência de que essa facção domine o Rio Grande do Norte e, ao mesmo tempo, leve ao desaparecimento do Sindicato do Crime”, afirmou o promotor.
Sílvio Brito explicou que o Comando Vermelho deixou de atuar meramente como aliado de facções regionais para buscar o controle direto dos territórios onde estabelece influência. Ele descreve a organização como uma potência transnacional, similar ao PCC, com atuação em rotas internacionais de tráfico de drogas, tanto para a entrada de entorpecentes no Brasil, provenientes de países andinos como Colômbia, Peru e Bolívia, quanto para a exportação para Europa, Oriente e Estados Unidos.
O fortalecimento do CV, segundo o Ministério Público, está atrelado ao acesso a essas rotas transnacionais, à facilidade de obtenção de armamentos de uso restrito e a uma estrutura consolidada em comunidades sob seu domínio. Esse avanço ocorre em meio a uma disputa acirrada com o SDC no Rio Grande do Norte, com projeção de aumento nos confrontos entre criminosos e, eventualmente, com a polícia.
O conflito entre as facções remonta ao massacre no Presídio Estadual de Alcaçuz, ocorrido em 2017, que resultou na morte de pelo menos 27 pessoas. Desde então, o Estado tem testemunhado ataques, como incêndios de ônibus, e confrontos em diversas áreas da Região Metropolitana de Natal. Em municípios como São José de Mipibu, a violência persiste, com oito mortes registradas somente em janeiro deste ano devido à disputa, totalizando 17 homicídios até maio.
A perda contínua de integrantes e de territórios tende a acelerar o enfraquecimento do Sindicato do Crime. O promotor estima que, em um período de três a cinco anos, o SDC possa se tornar insignificante devido ao alto volume de deserções. No entanto, o possível desaparecimento do SDC não garante uma melhora automática na segurança pública, uma vez que o domínio do Comando Vermelho pode tornar o enfrentamento mais complexo. As lideranças, fontes de custeio e arsenais do CV frequentemente estão fora do alcance das autoridades locais, desfavorecendo o combate.
Além do tráfico de drogas, as organizações criminosas exercem controle sobre atividades econômicas locais, cobrando taxas de trabalhadores informais, como vendedores ambulantes, em bairros e comunidades. Inicialmente em valores baixos, como R$ 50, essas cobranças podem aumentar progressivamente, chegando a R$ 1.000 ou mais, pressionando os trabalhadores e levando à desistência de atividades ou a confrontos violentos.
O Governo do Rio Grande do Norte busca combater as organizações criminosas por meio de operações de inteligência, patrulhamento ostensivo, como a Operação Território Seguro com apoio do Ministério da Justiça, e bloqueio de recursos criminosos. Para Sílvio Brito, o enfraquecimento financeiro é crucial. A entrada de grandes somas de dinheiro fortalece o poder de fogo, a capacidade de compra de armamentos, a corrupção de autoridades e a obtenção de benefícios no sistema prisional. Sufocar financeiramente essas facções é a principal ferramenta para fortalecer o trabalho das forças de segurança e enfrentar um inimigo mais enfraquecido.
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