MPRN pede anulação de lei municipal que altera regras de ocupação em áreas turísticas de Natal

MPRN pede anulação de lei municipal que altera regras de ocupação em áreas turísticas de Natal
FOTO: DIVULGAÇÃO
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O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) entrou com uma Ação Civil Pública pedindo que a Justiça anule a Lei Municipal nº 7.801/2024, que trata do uso e ocupação do solo em áreas de interesse turístico e paisagístico de Natal. Segundo o órgão, a lei traz mudanças que não estão previstas no Plano Diretor da cidade e foi aprovada sem estudos técnicos e sem a participação da população.

A lei define regras para as Áreas Especiais de Interesse Turístico e Paisagístico (AEITPs). De acordo com o Ministério Público, essas áreas passaram a ter as mesmas regras de regiões onde já é permitido maior adensamento urbano. Na Via Costeira, por exemplo, o índice que determina o quanto pode ser construído no terreno (o Coeficiente de Aproveitamento) aumentou de 1,0 para até 5,0, o que não está previsto no Plano Diretor.

Para o MPRN, essas mudanças descaracterizam o caráter especial dessas áreas, que deveriam ter proteção diferenciada. O órgão também afirma que a lei foi aprovada como lei ordinária, quando mudanças no Plano Diretor só podem ser feitas por lei complementar, seguindo regras mais rígidas.

Outro ponto levantado pelo Ministério Público é a falta de debate público. O órgão afirma que só foi realizada uma audiência na Câmara Municipal, quando seriam necessárias mais consultas, além de análises técnicas e participação do Conselho de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (CONPLAM), responsável por avaliar mudanças no Plano Diretor. Comunidades tradicionais de pescadores também não foram consultadas.

Além disso, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) informou ao MPRN que a lei não foi baseada em estudos urbanísticos ou ambientais — o que, segundo o Ministério Público, é motivo suficiente para torná-la inválida.

Diante disso, o MPRN pede que a lei seja anulada. Em caráter urgente, solicita ainda que novas licenças e alvarás de construção nessas áreas sejam suspensos para evitar danos ao meio ambiente e ao planejamento urbano da cidade. O órgão também pede que a Prefeitura elabore um novo processo de regulamentação, com participação popular e estudos adequados.

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