MPF dá 15 dias para Tibau do Sul apresentar estudo de capacidade de carga das falésias de Pipa

MPF dá 15 dias para Tibau do Sul apresentar estudo de capacidade de carga das falésias de Pipa
FOTO: EMPROTURN
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O Ministério Público Federal (MPF) concedeu prazo de 15 dias para que a prefeitura de Tibau do Sul, município onde ficam as praias de Pipa, no Rio Grande do Norte, apresente avanços na formulação de um plano de manejo para a área, com indicação das atividades permitidas.

O MPF também determinou a entrega de estudo de capacidade de carga para dimensionar as pressões sobre as falésias.

A medida ocorre após novo acidente no último domingo 7, quando duas pessoas ficaram feridas em um deslizamento na Praia do Madeiro. O procurador da República Camões Boaventura afirmou que “observa-se a permanência de ocupações irregulares impactantes, a ausência de medidas efetivas para elaboração e execução do plano de manejo, bem como o agravamento dos riscos decorrentes dos deslizamentos de falésias”.

Segundo ele, “esse cenário exige atuação imediata, sob pena de perpetuar danos ambientais e colocar em risco vidas humanas”.

O MPF articula atuação conjunta da prefeitura com órgãos ambientais e universidades federais no Rio Grande do Norte. Desde 2017, estudos técnicos do Instituto do Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema/RN) já apontavam erosão em pontos avançados, ocupação irregular por pousadas, barracas e comércios, além de risco iminente à vida humana.

Em abril, o MPF obteve a condenação da empresa Madeiro Beach e de sua proprietária pelo funcionamento de barraca de praia sem licença. A proprietária teve a pena privativa de liberdade convertida em multa pecuniária, e a empresa deverá custear ações ambientais no valor de R$ 40 mil como prestação de serviço à comunidade.

O Idema constatou danos ambientais como banheiros no sopé da falésia, tubulações de esgoto e de água com risco de vazamentos, acúmulo de resíduos sólidos e fossa séptica com potencial de contaminação do lençol freático.

Foi apontada a necessidade de remoção integral da barraca e a recuperação da área. Na última terça-feira 9, o MPF deu à prefeitura prazo de 15 dias para apresentar cronograma de demolição e recuperação.

Outra ação proposta pelo MPF resultou, em agosto de 2024, na determinação judicial para demolição das construções irregulares do restaurante Barravento, entre as praias de Cacimbinhas e Ponta do Madeiro.

O restaurante e o proprietário foram condenados a recuperar a área com plantio de vegetação nativa, pagar indenização de R$ 100 mil por danos ambientais e se abster de novas construções em áreas de praia. Mais de um ano após a sentença, a demolição não foi realizada. O MPF obteve decisão que obriga a prefeitura de Tibau do Sul a executar a retirada das construções.

O MPF também acionou o Projeto Falésias, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, para atualização das medidas urgentes e estruturais necessárias na área. As ações incluem fiscalização periódica, depósitos adequados de resíduos e ordenamento das barracas.

Pipa integra a Área de Proteção Ambiental Bonfim-Guaraíras, a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Santuário Ecológico e a Reserva Faunística Costeira de Tibau do Sul (Refauts).

O Centro Tamar informa que a região é área de desova de tartarugas marinhas, o que demanda medidas preventivas e restrição de atividades noturnas na orla entre dezembro e maio.

A região acumula acidentes graves nos últimos anos. Em junho de 2024, parte de uma falésia desmoronou e destruiu duas barracas na Praia do Madeiro. Em 2020, outro deslizamento matou um casal e um bebê de sete meses.

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