Cirurgia inédita no RN salva policial com trauma grave na coluna em Mossoró

Uma operação conjunta entre dois dos principais hospitais públicos de Mossoró viabilizou uma cirurgia neurocirúrgica inédita no RN, realizada em tempo recorde pelo SUS. A atuação integrada garantiu atendimento imediato e especializado a um policial militar vítima de um trauma grave na coluna vertebral.
O procedimento envolveu o Hospital Regional Tarcísio Maia, referência estadual em urgência e emergência, e a Liga Mossoroense de Estudos e Combate ao Câncer, instituição filantrópica que também executa cirurgias de alta complexidade pelo SUS. A articulação entre as equipes permitiu uma resposta rápida diante de um quadro considerado crítico.
O caso ocorreu em outubro, mas só foi divulgado nesta segunda-feira (22). O paciente sofreu um acidente de motocicleta e, durante a queda, atingiu a base da coluna no meio-fio. O impacto causou compressão imediata da medula, resultando em paraplegia no momento do trauma — situação classificada como emergência neurocirúrgica.
Inicialmente, o policial foi atendido no Hospital Tarcísio Maia, onde os médicos identificaram um politraumatismo, com múltiplas lesões associadas. A complexidade do quadro exigia uma intervenção rápida e estrutura especializada para evitar agravamento das sequelas.
Diante da gravidade, a Liga de Mossoró disponibilizou sala cirúrgica, equipamentos adequados e profissionais especializados para a reconstrução imediata da coluna e a redução dos danos à medula. A coordenação da cirurgia ficou sob responsabilidade dos neurocirurgiões Claudionor Segundo e Paulo Rodovalho, que atuaram de forma integrada entre as duas unidades.
Segundo a Liga, em situações normais, esse tipo de procedimento pode levar de 12 a 20 dias para ser realizado na rede pública. Neste caso, a cirurgia foi iniciada em menos de 24 horas após o primeiro atendimento, fator decisivo para o início precoce da reabilitação.
De acordo com o neurocirurgião Paulo Rodovalho, a rapidez e a organização das equipes foram fundamentais para o sucesso do procedimento. Ele destaca que, mesmo na rede privada, seria difícil reunir recursos e profissionais especializados em tão pouco tempo.
Após a cirurgia, o paciente retornou ao Hospital Tarcísio Maia, onde segue em acompanhamento clínico e iniciou o processo de fisioterapia. Conforme os médicos, se a intervenção tivesse ocorrido mais tarde, o quadro clínico poderia ter impedido o início da reabilitação.
Em nota, a Liga de Mossoró reforçou que todo o atendimento foi realizado pelo SUS, por meio da atuação complementar entre a unidade estadual e a instituição filantrópica, mantida majoritariamente com recursos públicos. A cirurgia é considerada inédita entre hospitais públicos do RN e reforça a importância da integração entre serviços, do investimento contínuo em saúde pública e da valorização de equipes especializadas.
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