BENEFÍCIOS PARA PARTIDOS

Câmara aprova pacote de benefícios para partidos políticos em votação marcada pelo silêncio

Fachada da Câmara dos Deputados em Brasília.
Câmara dos Deputados aprovou projeto que concede benefícios a partidos políticos. Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Projeto aprovado na Câmara dos Deputados concede vantagens aos partidos, incluindo facilidades no uso de mensagens e no pagamento de débitos, em meio a críticas sobre o impacto na desinformação.

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que concede uma série de benefícios a partidos políticos. A votação, ocorrida nesta semana, foi marcada pela ausência de grande parte dos parlamentares e pelo silêncio no plenário, com poucos discursos de defesa da proposta.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), conduziu parte da sessão, mas deixou a Mesa Diretora antes da votação do projeto, que foi incluído na pauta na tarde de terça-feira (19), após reunião de líderes. Parlamentares relataram ao g1 que uma versão física do texto circulava na Casa há semanas e foi apresentada ao colégio de líderes pelo relator, Rodrigo Gambale (Podemos-SP), que representava a deputada Renata Abreu (Podemos-SP) nas negociações.

A versão digital final do texto foi disponibilizada apenas horas antes da votação, uma estratégia para dificultar vazamentos, segundo deputados. Gambale, no entanto, nega, afirmando que o texto foi compartilhado com os líderes por três vezes em grupos de Whatsapp e que a proposta era negociada há meses.

O projeto foi votado com a urgência e o mérito no mesmo dia, de forma simbólica. Quatro deputados discursaram criticando a proposta: Adriana Ventura (Novo-SP), Kim Kataguiri (Missão-SP), Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Chico Alencar (PSOL-RJ). Outros parlamentares apresentaram votos contrários no sistema eletrônico sem se manifestar durante a sessão.

A proposta estabelece que partidos resultantes de fusões ou incorporações não terão bloqueio de recursos do Fundo Partidário por prestações de contas anteriores. Permite também o registro de um número de telefone celular oficial junto à Justiça Eleitoral para envio de mensagens sem bloqueio por plataformas, salvo por ordem judicial, o que vai na contramão das tentativas de combater a desinformação.

Outras medidas incluem a suspensão de processos judiciais sobre agremiações até a intimação de novo representante legal do partido resultante. O texto limita a três anos o período para julgamento de contas, extinguindo o processo caso não haja decisão. No semestre eleitoral, ficam proibidas sanções como suspensão de repasses do Fundo Partidário e Fundo Eleitoral (FEFC), ou desconto de valores de condenações.

Adicionalmente, o projeto limita a multa por rejeição de contas a R$ 30 mil, permite o parcelamento de débitos em até 180 meses e blinda o diretório nacional de arcar com sanções de diretórios estaduais e municipais. Autoriza a criação de universidades partidárias com cobrança de mensalidades e dispensa comprovação de desempenho de tarefas por dirigentes. As novas regras entram em vigor imediatamente, sem se submeter ao princípio da anualidade da lei eleitoral.

O advogado Alexandre Bissoli, que representou partidos como Podemos, PRD, Rede e PP, defende que a proposta visa resolver a comunicação entre partidos e filiados, e não incentivar disparos em massa. Ele argumenta que o parcelamento de débitos é crucial para evitar o calote de partidos antigos com passivos elevados, e que a limitação da multa visa impedir que se torne uma forma de arrecadação pelos tribunais eleitorais.

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