SAÚDE MENTAL DIGITAL
YouTube Health e Instituto Vita Alere lançam guia essencial para saúde mental de jovens na internet
O manual "Comunicação em Saúde Mental & Bem-Estar para Jovens" oferece diretrizes práticas para um ambiente online seguro, disponível nesta sábado, 09/05/2026.
Um guia crucial para a saúde mental de adolescentes no ambiente digital foi lançado oficialmente nesta sábado, 09/05/2026. A parceria entre YouTube Health e o Instituto Vita Alere disponibiliza o manual “Comunicação em Saúde Mental & Bem-Estar para Jovens”, um recurso vital para educadores, profissionais de saúde, famílias e criadores de conteúdo. A iniciativa responde à crescente necessidade de um espaço online mais seguro e responsável, buscando apoiar os jovens sem estigmatizá-los.
Para Karen Scavacini, psicóloga, doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo, especialista em prevenção do suicídio e fundadora do Vita Alere, a meta é clara: "A pergunta não é mais se devemos falar de saúde mental no digital, mas como fazer isso com segurança, responsabilidade e qualidade", destaca.
O manual detalha as principais dificuldades enfrentadas no ambiente digital, como a pressão estética, a exposição a conteúdos nocivos, o excesso de telas e os estigmas. Em contrapartida, propõe recomendações fundamentadas em diretrizes de segurança, ética, diversidade e protagonismo juvenil.
Scavacini explica o profundo impacto de um ambiente online prejudicial na formação dos jovens: "A adolescência é uma fase de construção de identidade, autoestima, vínculos e autonomia. Quando um jovem está em sofrimento, isso pode aparecer no sono, na escola, nas relações, no corpo, na forma como ele se vê e até na esperança em relação ao futuro", aponta a especialista.
Ela reforça que o cuidado com o bem-estar nessa fase do desenvolvimento não é "mimar" o adolescente, mas sim criar condições para que ele "atravesse essa fase com mais apoio, pertencimento e capacidade de pedir ajuda".
A psicóloga ressalta que o manual serve como uma ferramenta prática. Professores podem utilizá-lo em rodas de conversa sobre convivência digital, enquanto pais e familiares encontram apoio para observar e dialogar com os adolescentes com menos julgamento. O material também pode estimular reflexões nos próprios adolescentes, ajudando-os a compreender o que é relevante para suas experiências.
Saúde mental e as redes sociais
Karen Scavacini alerta que a exposição a conteúdos sensíveis e violentos tem o potencial de vulnerabilizar os jovens, e que este tipo de material não deve ser naturalizado. "Muitas vezes esperamos a crise aparecer para agir. Precisamos melhorar a prevenção, a escuta cotidiana, a formação de professores, o apoio às famílias, o acesso a serviços e também a qualidade da informação que circula online", enfatiza.
A especialista ainda salienta a importância do acompanhamento adulto. "Jovens precisam de adultos disponíveis, redes de apoio reais e ambientes digitais menos violentos", afirma.
Recomendações do manual "Comunicação em Saúde Mental e Bem-Estar para Jovens"
O material aborda desafios como cyberbullying, comparação corporal, desinformação, exposição a conteúdos nocivos e uso excessivo de telas, oferecendo recomendações embasadas em evidências.
A psicóloga Karen Scavacini oferece orientações para familiares de adolescentes: "Observem mudanças de humor, isolamento, alterações no sono, queda no rendimento, irritabilidade, falas negativas sobre o corpo ou uso muito desregulado das redes. Mas observem sem entrar só pelo controle ou pela bronca. Perguntem, conversem, tentem entender o que aquele jovem está consumindo e como aquilo o afeta", sugere.
Para os produtores de conteúdo, Scavacini reforça a seriedade da responsabilidade na manutenção da saúde mental. "O conteúdo precisa de responsabilidade. Nas redes, devemos não diagnosticar, não romantizar sofrimento, não expor histórias sem consentimento, não usar dor como entretenimento e sempre indicar fontes confiáveis de ajuda quando o tema for sensível", completa.
ECA Digital
O ECA Digital, que entrou em vigor em março de 2026, estabelece regras claras para a proteção de menores de 18 anos no ambiente online. Seguindo o espírito do Estatuto da Criança e do Adolescente tradicional, o ECA Digital visa fiscalizar a internet para garantir que os direitos de crianças e adolescentes não sejam violados.
Entre as inovações do ECA Digital estão a verificação de idade dos usuários, a proibição de publicidades direcionadas a crianças e adolescentes, o controle parental e a vinculação de contas a um responsável, a restrição do "feed infinito" para combater o uso excessivo de telas, e a remoção compulsória de conteúdos inapropriados que envolvam abuso, violência ou cyberbullying. A legislação também prevê a responsabilização das plataformas digitais.
Para Karen Scavacini, a atuação conjunta de plataformas, Estado, escolas, criadores e responsáveis é fundamental. "Uma comunicação segura nas redes sociais precisa respeitar faixa etária, reduzir exposição a conteúdos nocivos, combater desinformação, proteger dados e pensar no impacto real que aquele conteúdo pode ter em uma pessoa em desenvolvimento", explica.
Segundo ela, a criação do manual complementa esses objetivos, ressaltando a importância de uma abordagem proativa: "Precisamos de menos reação tardia e mais cuidado contínuo, nas escolas, nas famílias, nas plataformas e nos serviços", conclui Scavacini.
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