XADREZ POLÍTICO ASIÁTICO

Xi Jinping visita a Coreia do Norte em busca de influência estratégica diante da Rússia

Líderes Xi Jinping e Kim Jong-un em encontro.
Xi e Kim se encontraram pela última vez em setembro, durante um desfile militar em Pequim. — Foto: Getty Images

Presidente chinês busca fortalecer laços com Kim Jong-un em meio à crescente aproximação entre Pyongyang e Moscou, preservando os interesses de Pequim na região. A decisão visa a equilibrar a influência e garantir a estabilidade geopolítica, com potencial impacto na segurança regional e nas relações internacionais.

O presidente Xi Jinping decidiu visitar a Coreia do Norte, fortalecendo a influência da China sobre o aliado, com o objetivo de gerenciar a aproximação entre Pyongyang e Moscou. Essa estratégia política, anunciada nesta segunda-feira, 08/06/2026, busca preservar os interesses chineses em um cenário de crescente instabilidade regional e expandir a presença de Pequim no tabuleiro internacional. A visita de Xi, realizada após encontro com Vladimir Putin, é crucial para garantir que a China mantenha sua capacidade de influenciar o regime norte-coreano, um parceiro considerado estrategicamente vital.

A relação entre China e Coreia do Norte, historicamente definida como um vínculo 'selado em sangue' em referência à Guerra da Coreia (1950-1953), tem sido marcada por desconfiança mútua nos últimos anos. O ano de 2024 foi particularmente revelador da tensão, com a comemoração contida dos 75 anos de relações diplomáticas e a ausência de encontros de alto nível. Esse distanciamento contrastou fortemente com a intensificação da colaboração entre a Coreia do Norte e a Rússia desde a invasão da Ucrânia, incluindo um pacto de defesa mútua assinado em 2024.

A crescente cooperação militar norte-coreana com a Rússia, que inclui o fornecimento de munições em troca de petróleo e ajuda econômica, alertou Pequim. Especialistas apontam que a China tem 'sentimentos contraditórios' sobre essa aproximação: por um lado, ela pode desviar a atenção dos EUA e complicar a estratégia americana na Ásia; por outro, a Rússia pode se tornar a principal força de influência sobre a Coreia do Norte, reduzindo a capacidade de barganha chinesa. A China busca, assim, reafirmar sua posição sem apoiar abertamente o programa nuclear norte-coreano, o que poderia intensificar a presença americana e fortalecer alianças locais.

Para a Coreia do Norte, a China permanece como a principal fonte de auxílio econômico. As exportações chinesas para o país saltaram para US$ 2,3 bilhões no ano passado, e o serviço ferroviário entre Pequim e Pyongyang foi retomado. Kim Jong-un enfrenta o dilema de não se tornar excessivamente dependente de um parceiro em declínio de influência, especialmente se a guerra na Ucrânia chegar ao fim e a necessidade russa de apoio diminuir. A dinâmica atual força Kim a buscar um equilíbrio pragmático, mantendo a China como base de sustentação econômica e política.

A relação entre Xi e Kim também carrega o peso de tensões históricas, incluindo a aceleração do programa nuclear norte-coreano por Kim Jong-un e a execução de seu tio, Jang Song Thaek, considerado um moderador pelas autoridades chinesas. Gestos diplomáticos, como a visita de Xi à Coreia do Sul antes de encontrar Kim em 2014, evidenciaram o desgaste. A aproximação mais recente, iniciada em 2018, marca um reencontro cauteloso, onde a Coreia do Norte busca proteção sem aceitar tutela política, e a China anseia por estabilidade regional e influência estratégica. Apesar da desconfiança mútua, a parceria é vista como necessária para ambos, garantindo a continuidade do diálogo para preservar seus interesses.

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