DECISÃO DE PESO

Walter Alves recusa comandar o Governo do RN após descobrir 'bomba' em contas públicas

Vice-governador Walter Alves em entrevista à 98FM Natal.
Vice-governador do Rio Grande do Norte, Walter Alves (MDB), em entrevista.

Vice-governador revelou, em entrevista, que ausência de transparência financeira inviabilizou assumir o Executivo. Cenário político para 2026 é reconfigurado.

O vice-governador do Rio Grande do Norte, Walter Alves (MDB), explicou em entrevista neste sábado, 30 de maio de 2026, os motivos que o levaram a recusar a possibilidade de assumir o Governo do Estado. A decisão, classificada como uma das mais difíceis de sua trajetória, foi tomada após constatar um cenário financeiro "muito delicado" e a falta de transparência na gestão da governadora Fátima Bezerra (PT), o que, segundo ele, comprometeria seu legado político em um eventual e curto mandato.

A declaração foi feita durante entrevista ao programa Politicando, da 98FM Natal. Walter Alves detalhou que a recusa ocorreu após reuniões com a equipe econômica do Governo do Estado e conversas com lideranças nacionais do MDB. Ele havia construído um projeto político de anos visando a possibilidade de liderar o Executivo potiguar, especialmente após a governadora Fátima Bezerra sinalizar interesse em disputar o Senado e, consequentemente, renunciar ao cargo. A possibilidade de assumir o posto, que ele "sonhou, lutou e trabalhou" para conquistar, foi descartada ao analisar a real situação das finanças estaduais.

Ao examinar as contas públicas, o vice-governador identificou um passivo expressivo, especialmente relacionado a empréstimos consignados de servidores estaduais, estimado em cerca de R$ 360 milhões. Ele comparou a situação a uma "bomba" prestes a explodir, citando ainda dificuldades fiscais que já indicavam a impossibilidade de cumprir compromissos futuros, como o reajuste salarial dos servidores, que acabou sendo parcelado. "Se eu fosse o governador, era greve geral na rua", afirmou Walter Alves, indicando o potencial de instabilidade social gerado pela crise.

Em busca de orientação, Walter Alves consultou o ex-governador Garibaldi Alves Filho. A conclusão foi que seria impossível reorganizar as finanças do Estado em poucos meses, um período que ele considerou insuficiente para qualquer reestruturação significativa. A preocupação com o desgaste político também foi um fator determinante. Ele temeu que um mandato marcado por dificuldades financeiras pudesse prejudicar sua imagem, contrastando com o legado de seu pai, também ex-governador.

As declarações de Walter Alves também serviram como resposta a críticas sobre uma suposta traição ou descumprimento de acordo político. Ele negou veementemente qualquer compromisso formal para sua candidatura ao Governo do Estado em 2026, acusando adversários de tentarem minar sua trajetória. "Quiseram acabar com o nosso legado, mas não conseguiram", declarou.

A decisão de Walter Alves em não assumir o Governo do RN alterou o panorama político para as eleições de 2026. Com a governadora Fátima Bezerra mantendo-se no cargo, os esforços agora se concentram na construção da candidatura do ex-secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT), ao Governo. Walter Alves, por sua vez, lidera a reorganização do MDB no estado e reafirmou sua pré-candidatura à Assembleia Legislativa, embora tenha deixado em aberto a possibilidade de disputar o Governo do Estado em um futuro distante.

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