DESAFIA GOVERNADORA

Walter Alves rebate críticas de Fátima Bezerra e questiona poder do vice-governador

Walter Alves, vice-governador do Rio Grande do Norte, em entrevista.
Vice-governador Walter Alves (MDB) em entrevista à 98 FM Natal.

Vice-governador Walter Alves (MDB) nega participação na gestão estadual e critica dívida de R$ 3 bilhões deixada pelo Governo do Estado. "Vice é vice, não tem poder nenhum", declarou.

O vice-governador do Rio Grande do Norte, Walter Alves (MDB), rebateu, nesta terça-feira, 07/07/2026, as críticas de que teria "traído" a governadora Fátima Bezerra (PT) ao romper politicamente com o Executivo. Em entrevista à 98 FM Natal, Alves fez um duro desabafo sobre os quatro anos em que ocupou a Vice-Governadoria, afirmando que jamais participou das decisões administrativas do Estado e que tomava conhecimento dos principais assuntos pela imprensa. Ele questionou a narrativa construída após sua decisão de não assumir o Governo do Estado nos últimos meses da atual gestão.

"Quem traiu quem? Quem deixou um déficit de R$ 3 bilhões? Quem deixou consignados em R$ 372 milhões? Quem aprovou aumento sem dinheiro para pagar?", questionou Walter Alves. Ao explicar sua decisão de não assumir o comando do Executivo estadual naquele momento, ele alegou que, somente ao analisar estudos técnicos e dados oficiais, percebeu a gravidade da situação financeira. Assumir o governo sob aquelas circunstâncias, segundo ele, significaria carregar uma crise sem ter participado de sua criação.

Segundo Alves, o governo nunca compartilhou informações oficiais que apontavam um cenário de forte desequilíbrio nas contas públicas. O Rio Grande do Norte fechou o período de 2025 para 2026 com um déficit de aproximadamente R$ 3 bilhões, enfrenta uma dívida de cerca de R$ 372 milhões referente a empréstimos consignados, atrasou o pagamento do décimo terceiro salário e opera acima do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. "O Estado está com 56,75% da receita comprometida com a folha. É o maior índice do Brasil", pontuou o vice.

Vice é vice

Na entrevista, o vice-governador também declarou que, na prática, o cargo de vice depende exclusivamente da confiança do governador. "Prova que o cargo de vice-governador não tem poder nenhum. Você só tem poder quando o governo lhe dá poder. Se o governador não der poder, você não tem poder", afirmou Walter Alves, reforçando que nunca integrou o núcleo responsável pelas principais decisões da gestão estadual. "Eu disse à governadora: a senhora sabe que eu não participo da gestão. Eu não participo do comitê gestor. O que eu sei é o que todo mundo sabe, pela imprensa." Ele também mencionou que o MDB teve pouco espaço na administração, com apenas uma secretaria, apesar de integrar a chapa eleita em 2022.

Alves detalhou que, durante a transição, recebeu informações de Brasília sobre a situação financeira que o governo estadual não lhe repassou. "Fora o que eu não sei", concluiu.

Desafio para o próximo gestor

Para o próximo governador, Walter Alves prevê um "choque de gestão" como principal missão para reorganizar as contas públicas e viabilizar novos investimentos. Ele defende a revisão de contratos, a venda de imóveis do Estado, a ampliação de parcerias público-privadas (PPPs) e o incentivo a setores econômicos como turismo, mineração, petróleo, gás natural, energias renováveis, sal, fruticultura irrigada e hidrogênio verde. "A arrecadação sobe, mas o investimento com recursos próprios é praticamente zero. O custeio da máquina está consumindo tudo", lamentou. Segundo ele, a reorganização financeira é pré-requisito para investimentos em áreas como saúde, segurança e infraestrutura: "Primeiro tem que fazer o dever de casa. Sem organização financeira não existe investimento."

Tradição e Futuro político

Walter Alves reiterou que assumir o Governo do Estado nos últimos seis meses da atual gestão teria sido um "suicídio político", pois o tempo seria insuficiente para reverter a situação financeira. "Eu ia andar na rua e ouvir que meu pai foi um grande governador e eu um dos piores. Ninguém reorganiza um Estado nessa situação em apenas seis meses", argumentou. A recuperação fiscal exigirá um trabalho de longo prazo e decisões difíceis, algo que o próximo governador terá quatro anos para realizar.

Apoio a Allyson e Lula em 2026

Em relação às eleições de 2026, Walter Alves confirmou o apoio do MDB à pré-candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, ao Governo do Estado, com o deputado estadual Hermano Moraes como vice. Nacionalmente, o MDB apoiará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial. Para o Senado, o partido apoiará a senadora Zenaide Maia, com a segunda vaga em aberto para liberação de voto. A convenção estadual do MDB está marcada para o dia 26 de julho, em Natal, onde a legenda apresentará sua nominata com 25 candidatos, incluindo nomes como Antônio Jácome, Ivan Júnior, Bibiano, Oderlan, Clóvis e outras lideranças regionais.

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