AÇÃO EM BRASÍLIA
Walter Alves descreve atuação federal no RN, afirmando ter sido um “vice-governador federal”
Vice-governador Walter Alves (MDB) detalha articulação em Brasília para trazer obras e recursos ao RN, compensando a falta de espaço político no Governo do Estado.
O vice-governador Walter Alves (MDB) relatou uma atuação estratégica voltada para a esfera federal para compensar a ausência de espaço político e administrativo no Governo do Estado. Em entrevista concedida nesta terça-feira, 07/07/2026, à Agora RN/O Correio de Hoje, Walter Alves declarou que, diante da falta de prestígio na gestão Fátima Bezerra (PT), ele se tornou uma espécie de “vice-governador federal”, utilizando sua conexão com ministros do MDB e com o Governo Lula para assegurar obras, moradias, emendas e convênios para municípios do Rio Grande do Norte.
Walter Alves explicou que a falta de poder real no cargo de vice-governador se manifesta quando o titular do Executivo não abre espaço para colaboração. Foi essa situação de isolamento interno que o impulsionou a concentrar seus esforços na articulação em Brasília. "Eu fui um vice-governador meio que federal. Porque, como eu não tinha prestígio aqui, eu tinha que correr para lá, para Brasília, e graças a Deus nós conseguimos trazer resultado para o nosso Estado", afirmou.

Dentre os exemplos destacados, Walter Alves mencionou o Ministério das Cidades, anteriormente sob o comando de Jader Filho (MDB) até o fim de março. O vice-governador relatou ter buscado o ministro diversas vezes para discutir demandas municipais do Rio Grande do Norte, com foco no programa Minha Casa Minha Vida. Uma agenda em Brasília com Jader Filho, realizada em março, resultou na discussão de novas unidades habitacionais para o estado.
A duplicação da BR-304, obra integrante do Novo PAC, também foi citada. Walter Alves informou ter atuado junto ao ex-ministro dos Transportes Renan Filho (MDB) para assegurar a execução da intervenção. "Quantas vezes a gente foi lá pedir? Ah, Walter, isso foi fundamental? Jamais. Mas foi uma voz. Pedi, insisti, persisti, cobrei, e está aí", declarou.
As obras de duplicação da BR-304 no Rio Grande do Norte iniciaram oficialmente em 22 de janeiro, abrangendo o trecho entre Assú e Mossoró, com 57,6 quilômetros. O investimento previsto para esta etapa é de aproximadamente R$ 367 milhões, com conclusão estimada em até dois anos. A rodovia, originalmente construída na década de 1960 e com 289 quilômetros em território potiguar, conectando Natal e Mossoró, terá sua duplicação completa dividida em quatro lotes. O primeiro lote está em execução, o segundo teve contrato assinado em 19 de maio para 38,1 quilômetros com investimento de R$ 204,4 milhões. Os dois lotes restantes ainda serão licitados pelo Governo Federal.
Recorrendo à sua experiência como deputado federal, Walter Alves destacou a destinação de R$ 320 milhões em emendas para o Rio Grande do Norte durante seu mandato. Ele ressaltou que, em um período com menos recursos disponíveis para parlamentares, ele se dedicava ativamente a buscar verbas. "Era um deputado federal que corria atrás, insistia, persistia, ficava lá batendo na porta do ministro", afirmou.
Na entrevista, Walter Alves citou obras viabilizadas por emendas em Angicos, na região Central potiguar, como o novo pórtico de entrada, calçadão e sinalização turística. Ele também mencionou Pilões, no Alto Oeste, onde destinou R$ 1,7 milhão para a construção de um hospital e R$ 1,2 milhão para equipamentos, totalizando quase R$ 3 milhões. Essas estruturas em Pilões beneficiam também municípios vizinhos como Frutuoso Gomes e Almino Afonso, exemplificando como a presença em Brasília e a busca por recursos ministeriais geram resultados.
O vice-governador reiterou sua articulação recente com os ministros das Cidades e do Turismo para liberar casas populares, convênios e parcerias para qualificação de mão de obra, mencionando Caraúbas, Acari, Macaíba e Tangará como contemplados. Ele defende que o Governo Federal possui recursos e interesse em auxiliar estados e municípios, mas exige a apresentação de projetos, uma equipe técnica qualificada e persistência na articulação política. "Você tem que correr atrás. Recurso tem, agora tem que ter uma equipe boa para que possa chegar ao recurso", concluiu.
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