BANQUEIRO RESISTE A DELAÇÃO
Vorcaro se recusa a detalhar pagamentos a políticos, alegando 'amizade'
Primeira proposta de colaboração do dono do Banco Master foi rejeitada pela Polícia Federal. Defesa busca nova estratégia para acordo. O caso é relatado no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ministro André Mendonça.
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tem resistido em ampliar a proposta de delação premiada em negociação com as autoridades. Em vez de detalhar pagamentos a políticos, ele tem afirmado a advogados que as transações se deram por razões de “amizade”, sem a expectativa de contrapartidas. Essa postura é vista por fontes que acompanham as tratativas como um obstáculo significativo para o avanço de um acordo de colaboração eficaz.
A primeira tentativa de acordo apresentada pela defesa de Vorcaro foi rejeitada pela Polícia Federal há cerca de duas semanas. Por outro lado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou complementações ao material apresentado. A condução do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) está a cargo do ministro André Mendonça.
Fontes indicam que Vorcaro chegou a confessar a seus advogados a intenção de “ganhar tempo” com a negociação. O início dessas tratativas permitiu sua transferência de uma penitenciária federal de segurança máxima para uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, apelidada de “Ibis” entre seus conhecidos.
O nome do banqueiro tem sido citado em apurações sobre vínculos financeiros com autoridades. Entre elas, estão ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. No caso de Toffoli, uma empresa ligada à família do magistrado vendeu cotas de um resort no Paraná a um fundo do Banco Master. Em relação a Moraes, há um contrato de serviços entre o banco e a esposa do ministro, a advogada Viviane Barci.
Vorcaro também é mencionado em investigações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. Há suspeitas de que o banqueiro tenha enviado recursos para a produção, com intermediação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Além disso, o empresário contratou serviços do ex-ministro Guido Mantega, que teria facilitado uma reunião entre Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Após a rejeição da primeira proposta de colaboração, o advogado José Luís de Oliveira Lima deixou a defesa de Vorcaro. Uma nova abordagem está sendo trabalhada com o criminalista Sérgio Leonardo, que já integrava a equipe de defesa.
A nova estratégia da defesa visa incluir fatos adicionais à proposta. No entanto, relatos indicam que Vorcaro ainda demonstra resistência em confessar crimes e fornecer informações cruciais sobre suspeitas de atos ilegais envolvendo políticos e autoridades públicas. Investigadores da Polícia Federal consideram que a colaboração só seria valiosa com a apresentação de dados inéditos ou novos caminhos de investigação, dado o avanço da apuração por meio de elementos já obtidos, como dados do celular do banqueiro.
A Polícia Federal informou ao ministro André Mendonça que analisará uma nova proposta, caso seja formalmente apresentada. Contudo, as lacunas deixadas pela primeira tentativa aumentaram a desconfiança dos investigadores quanto ao real interesse do banqueiro em colaborar efetivamente.
Posteriormente à apresentação inicial da delação, a Polícia Federal deflagrou novas fases da Operação Compliance Zero. Essas ações incluíram a prisão de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, e buscas relacionadas ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), investigado por suspeitas de pagamentos mensais de propina. Tais informações, segundo o Estadão, não constavam na proposta inicial de delação. Ciro Nogueira negou as acusações.
Em paralelo, a defesa de Henrique Vorcaro busca a revogação da prisão preventiva no STF. O julgamento, relatado por André Mendonça e com voto de Luiz Fux pela manutenção da prisão, foi suspenso. Aguarda-se a decisão de Gilmar Mendes e Nunes Marques.
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