ELEIÇÕES EM CLIMA DE TENSÃO
Violência marca eleições na Colômbia, 10 anos após Acordo de Paz com as Farc
Candidatos presidenciais usam escoltas e relatam ameaças. Relatório do CICV aponta pior nível de violência em uma década no país. Especialistas alertam para novo ciclo de criminalidade.
{"blocks":[{"key":"6r3v4","text":"Candidatos à Presidência da Colômbia enfrentam um cenário eleitoral marcado pela violência, com relatos de ameaças de morte e esquemas de segurança reforçados. Iván Cepeda, líder nas pesquisas, é cercado por seguranças com escudos blindados a cada aparição pública. Seu principal adversário, Abelardo de la Espriella, utiliza um vidro blindado em seus discursos, enquanto Paloma Valencia, terceira colocada, conta com proteção governamental especial. Este cenário surge em um momento crítico, quase uma década após o Acordo de Paz com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e em meio a um novo ciclo de violência que aflige o país. A preocupação é palpável, especialmente após o atentado sofrido pelo então pré-candidato Miguel Uribe, cuja mãe foi vítima de Pablo Escobar. Embora a situação atual não se compare às décadas mais sombrias do conflito armado, a população esperava um futuro de maior tranquilidade após a assinatura do Acordo de Paz.","type":"paragraph"},{"key":"p8c1c","text":"A deterioração da segurança pública, iniciada em 2018 e com consequências humanitárias atingindo o nível mais grave da última década em 2025, segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), preocupa especialistas. Catalina Niño Guarnizo, coordenadora de segurança da Fundação Friedrich Ebert na América Latina, alerta para um novo ciclo de violência com características distintas: fragmentação de grupos, diversificação de atividades ilegais e novos alvos criminosos. Ao contrário de outros países latino-americanos onde o crime é mais urbano, na Colômbia, o fenômeno é predominantemente rural, afetando comunidades camponesas e étnicas em territórios remotos, antigas bases das guerrilhas até 2026.","type":"paragraph"},{"key":"7o8j1","text":"O legado de anos de guerra e um extenso mercado de armas alimentam a atual dinâmica. Grupos armados, em vez de confrontar o Estado em nível nacional, buscam o domínio territorial para garantir lucros. Atividades como garimpo, contrabando de migrantes, tráfico de madeira e sequestros, que triplicaram no mandato de Petro com uma explosão em 2025, complementam a produção de cocaína. Autoridades enfrentam desafios como a falta de informações oficiais sobre matanças em departamentos como Guaviare e a presença de minas terrestres, instaladas por grupos dissidentes para controlar rotas de narcotráfico e garimpo.","type":"paragraph"},{"key":"6s3e2","text":"A proposta de "paz total" do governo Petro, que visava negociar com grupos armados dissidentes como o ELN (Exército de Libertação Nacional), enfrenta obstáculos. O plano está parado desde janeiro do ano passado, após um conflito armado na região de Catatumbo gerar mais de 100 mil deslocados. A Colômbia se encontra em uma encruzilhada: aprofundar os diálogos, partindo do pressuposto de que os grupos ainda agem por ideologia — uma visão rechaçada por muitos especialistas —, ou optar pelo enfrentamento direto, que pode reviver dinâmicas da guerra que causou mais de 200 mil mortes civis em seis décadas. A urgência é ajustar a estratégia de paz, caso a negociação com todos os grupos não tenha funcionado nos últimos quatro anos.","type":"paragraph"},{"key":"3j2k1","text":"Nesta domingo, 31/05/2026, o país participa de eleições em um clima de insegurança que levanta sérias questões sobre o futuro da paz e da estabilidade na Colômbia.","type":"paragraph"}]}
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