PODER EM JOGO

Dez governadores e dez prefeitos de capitais deixaram seus cargos; cenário de 2026 se redefine

Mapa político do Brasil destacando estados e capitais com mudanças de liderança para as Eleições de 2026.
Mapa político brasileiro se reconfigura com as renúncias de governadores e prefeitos para as Eleições 2026.

Entre os dez governadores que renunciaram, dois já se apresentam como pré-candidatos à Presidência da República — Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO).

Em uma movimentação decisiva para o cenário político brasileiro de 2026, vinte gestores — dez governadores e dez prefeitos de capitais — renunciaram aos seus mandatos até o último sábado, 4 de maio de 2026. A decisão coletiva, imposta pela legislação eleitoral para que possam disputar outros cargos e evitar o uso da máquina pública em campanhas, reorganiza profundamente a administração de importantes estados e municípios, introduzindo novos líderes interinos e impactando diretamente a continuidade administrativa e os projetos em andamento para milhões de cidadãos.

Essa onda de renúncias, um rito obrigatório conhecido como desincompatibilização para quem ocupa cargos no Executivo, marca o início formal da corrida eleitoral de 2026. O objetivo é garantir a isonomia entre os candidatos, impedindo que chefes de Executivo utilizem os recursos ou a influência de seus postos para benefício próprio na disputa.

Os Governadores que Deixaram o Cargo

Entre os dez governadores que renunciaram, dois já se apresentam como pré-candidatos à Presidência da República — Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO) —, enquanto os outros oito devem disputar uma das 54 vagas que serão renovadas no Senado.

  • Gladson Cameli (PP-AC): Comunicou sua renúncia em 24 de março de 2026, com vigência a partir de 2 de abril de 2026, sinalizando a intenção de concorrer ao Senado. A vice-governadora Mailza Assis (PP) assumiu.
  • Ibaneis Rocha (MDB-DF): Anunciou sua saída em 28 de março de 2026, oficializada em 30 de março de 2026, com foco no Senado. A vice Celina Leão (PP) assumiu e pode buscar um novo mandato.
  • Renato Casagrande (PSB-ES): Deixou o governo no início de março de 2026 para disputar o Senado. O vice Ricardo Ferraço passou a comandar o estado.
  • Ronaldo Caiado (PSD-GO): O escolhido pelo PSD para a disputa presidencial, renunciou ao mandato na última semana, passando o cargo ao vice Daniel Vilela (MDB).
  • Mauro Mendes (União-MT): Renunciou em 30 de abril de 2026 para tentar uma vaga no Senado, com o vice Otaviano Pivetta (Republicanos) assumindo.
  • Romeu Zema (Novo-MG): Passou o cargo para o vice Mateus Simões (PSD) em 22 de março de 2026, em meio à sua pré-campanha à Presidência.
  • Helder Barbalho (MDB-PA): Deixou o cargo em 2 de maio de 2026 para concorrer ao Senado, sendo substituído pela vice-governadora Hana Ghassan (MDB).
  • João Azevêdo (PSB-PB): Renunciou em 2 de maio de 2026 para concorrer ao Senado, com o governo sendo assumido por Lucas Ribeiro (PP).
  • Cláudio Castro (PL-RJ): Pré-candidato ao Senado, renunciou em 23 de março de 2026. A situação no Rio é única: sem vice, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidirá se haverá eleição direta ou indireta para um mandato-tampão até o fim do ano.
  • Antonio Denarium (PP-RR): Renunciou ao cargo no final de março de 2026 para concorrer ao Senado, passando o governo para Edilson Damião (União).

É importante ressaltar que governadores que buscam a reeleição não necessitam deixar seus cargos, assim como o presidente da República. Outros, como Paulo Dantas (MDB-AL) e Eduardo Leite (PSD-RS), optaram por concluir seus mandatos sem concorrer a outros pleitos, cada um com suas razões políticas e estratégicas.

Prefeitos de Capitais com Planos Eleitorais

Dez prefeitos de capitais também deixaram suas gestões, a maioria com a mira nos governos estaduais. Essa troca de comando tem implicações diretas na administração das grandes metrópoles brasileiras.

  • Eduardo Paes (PSD-RJ): Deixou a prefeitura do Rio de Janeiro em 20 de março de 2026, dois meses após confirmar sua pré-candidatura ao governo do estado. Seu vice, Eduardo Cavaliere, tornou-se o prefeito mais jovem da cidade. Paes havia prometido não concorrer ao governo, em uma guinada política.
  • Lorenzo Pazolini (Republicanos-ES): O prefeito de Vitória também renunciou ao seu mandato para seguir a lei eleitoral, solicitando afastamento da corporação da Polícia Civil a partir de 6 de abril de 2026.
  • João Campos (PSB-PE): Oficializou sua pré-candidatura ao governo de Pernambuco em 20 de março de 2026 e saiu oficialmente da prefeitura em 2 de maio de 2026, sendo sucedido pelo vice-prefeito Victor Marques (PCdoB).
  • Eduardo Braide (PSD-MA): Comunicou sua pré-candidatura ao governo do Maranhão em 31 de março de 2026, com a vice Esmênia Miranda assumindo.
  • Cícero Lucena (MDB-PB): O prefeito de João Pessoa também renunciou ao cargo, visando novas disputas.
  • David Almeida (Avante-AM): Oficializou sua saída da prefeitura de Manaus em 31 de março de 2026 para concorrer ao governo do Amazonas, passando o cargo ao vice Renato Junior.
  • Dr. Furlan (PSD-AP): Afastado por suspeita de fraudes, o ex-prefeito de Macapá renunciou ao cargo em 5 de março de 2026 e, no mesmo dia, anunciou sua pré-candidatura ao governo do estado.
  • Tião Bocalom (PSDB-AC): Deixou a prefeitura de Rio Branco em 3 de maio de 2026, após formalizar sua renúncia em 26 de março de 2026, para concorrer ao governo do Acre. O vice Alysson Bestene (Progressistas) assumiu.
  • Arthur Henrique (PL-RR): O prefeito de Boa Vista também renunciou ao seu mandato, com a saída anunciada em vídeo. O vice Marcelo Zeitoune (PL) assume.
  • João Henrique Caldas (PSDB-AL): JHC, de Maceió, também confirmou sua saída da prefeitura em meio a desentendimentos partidários sobre a formação de chapas para 2026.

As decisões desses líderes não apenas cumprem uma exigência legal, mas redefinem a dinâmica política e administrativa em diversas esferas do poder público, abrindo caminho para novos nomes e pautas nas eleições que se aproximam. A transição de poder nesses 20 Executivos exige adaptabilidade e compromisso para que a continuidade dos serviços públicos não seja afetada, um desafio crucial para a dignidade dos cidadãos.

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