ALERTA SAÚDE PÚBLICA
Venda de tadalafila para jovens dispara no Brasil e acende alerta de especialistas sobre riscos à saúde
Uso indiscriminado do medicamento, voltado para disfunção erétil e hipertensão pulmonar, cresce entre jovens. Especialistas apontam riscos de efeitos colaterais graves e dependência psicológica.
O uso da tadalafila, medicamento comumente prescrito para disfunção erétil e hipertensão pulmonar, tem registrado um crescimento expressivo entre homens jovens no Brasil. A busca por aprimoramento do desempenho sexual e até mesmo pelo ganho de massa muscular em academias tem impulsionado essa tendência. Embora seguro sob orientação médica, o aumento do consumo recreativo acende um alerta entre profissionais de saúde sobre os riscos à dignidade e bem-estar do indivíduo.
Dados da Anvisa revelam um salto impressionante nas vendas do medicamento: de 3,2 milhões de caixas em 2015 para 74,9 milhões em 2025. Essa expansão sublinha a facilidade de acesso e o uso disseminado da substância, muitas vezes sem a devida avaliação clínica, o que impacta diretamente a saúde pública e a segurança dos cidadãos.
Os riscos associados ao uso indiscriminado incluem efeitos colaterais comuns como dor de cabeça, dores musculares, congestão nasal, rubor facial e desconforto gastrointestinal. Em situações mais severas, o paciente pode experimentar priapismo — uma ereção prolongada e dolorosa —, alterações visuais e auditivas, além de quedas bruscas de pressão arterial que podem levar à perda de consciência, afetando a integridade física.
A preocupação se estende à dependência psicológica. O urologista Fernando Meyer explica que, apesar de a tadalafila não causar vício químico, o uso frequente e sem necessidade pode criar uma dependência comportamental, onde o indivíduo passa a acreditar que seu desempenho sexual satisfatório depende unicamente do medicamento. Essa percepção pode minar a autoconfiança e a saúde mental.
A venda livre do medicamento em farmácias, sem a exigência de receita médica em muitos casos, facilita o acesso e agrava o cenário. Especialistas enfatizam que a tadalafila é um fármaco que demanda acompanhamento profissional rigoroso, com indicações e dosagens específicas para cada paciente, garantindo seu uso seguro e eficaz.
O uso por mulheres sem avaliação clínica adequada também é desaconselhado. Os efeitos vasodilatadores da tadalafila podem gerar alterações indesejadas no organismo feminino, sem a garantia de benefícios terapêuticos, levantando questões éticas sobre a automedicação e o uso off-label.
Com informações da Folha de S. Paulo.
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