ALERTA GERAL
Venda de anabolizantes no Brasil cresce 700% e acende alerta após morte de influencer
Aumento expressivo na venda de hormônios impulsiona preocupações sobre saúde e segurança no país. Autoridades buscam frear mercado ilegal.
A venda de anabolizantes no Brasil disparou 700% nos últimos sete anos, acendendo um grave alerta nacional. A preocupante escalada ocorre em meio à investigação sobre a morte do fisiculturista Gabriel Gânley, de 22 anos, que pode ter tido seu quadro de saúde agravado pelo uso dessas substâncias. O caso chocou pela visibilidade com que o jovem divulgava o uso, levantando questionamentos sobre o acesso a hormônios sem prescrição médica legal.
Gabriel Ganley foi encontrado morto, e o laudo médico apontou uma doença cardíaca, condição que pode ser severamente exacerbada pelo consumo de anabolizantes. Em depoimentos anteriores, ele admitiu publicamente a utilização desses produtos, prática que, segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), é proibida desde 2023 para fins estéticos ou esportivos. Médicos podem prescrever hormônios apenas para tratamentos específicos, como reposição hormonal ou em casos de perda de massa muscular associada a doenças graves.
A história de Gabriel Ganley reflete um cenário recorrente no fisiculturismo. Bruno Masini, treinador e árbitro da modalidade, compartilha uma experiência pessoal alarmante: "Eu comecei a usar esteroide anabolizante justamente para melhorar a minha aparência.", relatou. As consequências, contudo, foram drásticas. "Tive um infarto agudo do miocárdio, onde tive que correr para o hospital para fazer um cateterismo", confessou Masini, evidenciando o risco real para a vida.
O uso indiscriminado de testosterona, um dos hormônios mais comuns entre os anabolizantes, atingiu um patamar crítico. Dados revelam um aumento de 20% nas vendas legais entre 2024 e 2025. Comparado a 2018, o crescimento ultrapassa os 700%. Bruno Leandro de Souza, conselheiro federal do CFM, observa que, embora os processos éticos contra médicos por prescrição indevida tenham sido poucos no último ano – cerca de 15 –, a maioria dos problemas não parte da classe médica. "O grande número de informações e prescrições relacionadas a este problema não está partindo de médicos, está partindo do uso indevido, dos colegas mesmo de academia, de treino, de fisiculturismo. Na medicina, a gente conseguiu, com a resolução do CFM praticamente abolir ou diminuir muito a prescrição por médicos relacionados a este problema em relação a estas drogas", explicou.
Na internet, a venda de anabolizantes ocorre com aparente facilidade. Anúncios prometem transformações corporais rápidas, oferecendo hormônios sem a necessidade de receita médica, com vendas por mensagem direta e entrega para todo o Brasil. Essa dinâmica ilegal desafia os esforços de fiscalização.
A responsabilidade pela fiscalização de produtos ilegais é dividida entre a vigilância sanitária e a polícia. A Anvisa informou que a fiscalização é descentralizada, com as vigilâncias estaduais atuando diretamente. Apesar de monitorar anúncios online, páginas clandestinas derrubadas rapidamente reaparecem em novos endereços. Em resposta, a Polícia Civil de São Paulo apreendeu mais de 11 mil produtos irregulares somente neste ano, resultando na prisão de uma pessoa envolvida com falsificação e venda clandestina.
Clayton Macedo, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, defende que a solução exige maior engajamento da população e das autoridades. "Eu acredito que falta denúncia, falta fiscalização e principalmente falta punição, né? Porque a legislação prevê uma sequência de penalidades e essas penalidades são pequenas perto do lucro que esse mercado gera", avalia, destacando a necessidade de medidas mais rigorosas para combater essa prática que afeta a dignidade e a saúde de muitos.
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