AVANÇO NA NEUROCIÊNCIA

Estudo da Unicamp identifica enzima ligada ao surgimento da Esquizofrenia

Representação visual de células cerebrais em estudo sobre Esquizofrenia
Enzima pode estar ligada à origem da esquizofrenia, diz estudo — Foto: Alicia Petresc/Unsplash

Pesquisadores da Unicamp observaram que alterações na atividade da enzima PHGDH durante a formação cerebral podem ser determinantes para o desenvolvimento da doença.

Uma descoberta científica lançou nova luz sobre as origens da Esquizofrenia ao revelar que a baixa atividade de uma enzima específica durante a formação do cérebro pode estar intrinsecamente ligada ao transtorno. O estudo, conduzido por Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e outras instituições brasileiras, foi publicado recentemente na revista Glial Health Research.

A equipe concentrou seus esforços na fosfoglicerato desidrogenase (PHGDH), enzima essencial para a produção de serina, substância vital para a comunicação e o crescimento dos neurônios. A investigação foi realizada por meio de células cultivadas em laboratório, visando compreender como a escassez dessa proteína afeta a estruturação do sistema nervoso.

Ao reduzir a atividade da PHGDH durante o desenvolvimento de células-tronco em neurônios e astrócitos, os cientistas observaram danos severos: a produção de serina caiu, houve aumento na morte de neurônios — cerca de 30% em 21 dias — e o crescimento das conexões celulares foi prejudicado. Essas alterações apontam para uma falha no neurodesenvolvimento que pode ocorrer ainda na gestação, muito antes de os primeiros sintomas da doença se manifestarem na adolescência ou início da vida adulta.

Daniel Martins-de-Souza, coordenador da pesquisa pela Unicamp, ressalta que o achado desafia conceitos estabelecidos. Ao contrário do que indicava a literatura tradicional, a equipe identificou a presença da enzima também nos neurônios em formação, e não apenas nos astrócitos. Isso sugere que os neurônios produzem sua própria serina e são diretamente afetados pela carência da PHGDH.

Embora os resultados sejam promissores para o entendimento do transtorno, os pesquisadores enfatizam que o estudo não estabelece uma relação de causa e efeito definitiva, tratando-se de uma investigação in vitro. O objetivo futuro é verificar se a deficiência da enzima pode ser detectada em exames de sangue, abrindo caminhos para o desenvolvimento de tratamentos mais precisos e diagnósticos precoces, transformando a esperança de qualidade de vida para pacientes em dados clínicos concretos.

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