SAÚDE AVANÇADA SUS
Unifesp inaugura laboratório para medicina de precisão no SUS
Investimento de R$ 10 milhões impulsiona diagnóstico molecular e tratamentos personalizados para pacientes.
O atendimento a pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) deve ser impulsionado com a inauguração do Laboratório de Multiômica Espacial do Centro Avançado de Diagnóstico Molecular pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que ocorreu neste domingo, 03 de maio de 2026. A iniciativa, concretizada com um investimento de R$ 10 milhões e parcerias estratégicas, promete diagnósticos mais precisos e tratamentos personalizados para doenças como câncer, condições neurodegenerativas e imunológicas, buscando ampliar a detecção precoce e otimizar os custos no sistema público de saúde.
Majoritariamente financiada pela FAPESP, a nova instalação, localizada no Hemocentro do Hospital São Paulo — o hospital universitário da Unifesp —, foi projetada para integrar tecnologias genômicas e moleculares avançadas diretamente no cuidado dos pacientes. Este é o primeiro centro avançado de pesquisa e diagnóstico molecular público do Brasil, contando também com recursos da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e bolsas de pesquisa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).
Uma parceria com o Ministério da Saúde garantirá que o serviço seja inicialmente oferecido aos pacientes do Hospital São Paulo, com planos de expansão gradual para unidades de saúde municipais e estaduais, levando a medicina de ponta a um número crescente de pessoas.
“Nosso objetivo é ampliar a detecção precoce de câncer e de outras doenças neurodegenerativas e imunológicas através da identificação de biomarcadores específicos. Com diagnósticos mais precisos, o laboratório visa apoiar tratamentos personalizados e, consequentemente, reduzir custos no sistema público de saúde”, explicou Soraya Smaili, coordenadora do novo centro.
Smaili detalha que o projeto priorizou inicialmente a detecção de mutações para as quais o SUS já oferece tratamento, abrangendo câncer de colo intestinal, mama, tireoide, endométrio e pulmão. A visão é expandir o rol de serviços à medida que os trabalhos avançam, incluindo outros tipos de câncer e uma gama maior de doenças neurodegenerativas e imunológicas.
“O diagnóstico molecular oferece maior precisão e, por conseguinte, uma eficácia superior no tratamento. É um método mais rápido, seguro, com menos efeitos colaterais e com potencial para ser mais econômico, pois a administração de uma droga específica evita gastos desnecessários”, complementou Smaili, realçando o benefício direto para a saúde do cidadão e para a sustentabilidade do sistema.
Equipamentos de última geração, adquiridos pela FAPESP, municiam o laboratório. Entre eles, destacam-se o dPCR (PCR Digital) para detecção ultrassensível de material tumoral e o Xenium Analyzer, uma tecnologia para transcriptoma espacial que mapeia a expressão gênica diretamente em cortes de tecidos, preservando a localização geográfica das células e capaz de analisar até 5 mil alvos simultâneos em um único tecido.
A plataforma multiômica permite ainda a análise de tecidos diminutos para a compreensão de alterações no DNA das células, ou a realização da chamada biópsia líquida, que analisa mutações a partir de uma simples coleta de sangue do paciente, minimizando procedimentos invasivos e oferecendo conforto.
O presidente da FAPESP, Marco Antonio Zago, enfatizou o impacto transformador da iniciativa. “Celebramos a criação de uma estrutura de alta tecnologia para o que denominamos ciência de resultados. Serão realizadas pesquisas básicas e aplicadas com impacto direto na melhoria dos serviços públicos para a sociedade”, afirmou.
Ele descreveu o empreendimento como uma sinergia entre “visão de futuro e realismo orçamentário”, um modelo que considera vital para todo o Brasil. “Uma característica fundamental deste novo centro é a articulação de recursos estaduais e federais, complementada, em alguns casos, por parcerias privadas. Essa integração visa alavancar investimentos e robustecer o sistema de ciência, tecnologia e inovação de São Paulo”, explicou Zago.
Zago apontou que o centro recebeu verbas do edital de infraestrutura de 2022 da FAPESP, destinadas especificamente à aquisição de grandes equipamentos multiusuários. “O cerne do trabalho do centro reside na medicina de precisão, que consiste em adaptar os tratamentos médicos ao perfil genético-molecular e ao estilo de vida de cada paciente individualmente, garantindo uma abordagem mais eficaz e humana”, resumiu.
Para Olival Freire, presidente do CNPq, o laboratório representa “uma espécie de sonho da ciência brasileira na busca da defesa da saúde do povo, da autonomia e da soberania do país”, ecoando a esperança de um futuro mais saudável e independente.
Já Luiz Antonio Elias, presidente da Finep, reiterou que o laboratório posiciona o Brasil na vanguarda do conhecimento, com o diferencial de aproximar essa tecnologia da qualidade de vida das pessoas. “Este laboratório antecipa diagnósticos, expande as possibilidades de tratamentos e qualifica decisões clínicas. Ao integrar pesquisa e diagnóstico molecular de forma estruturada, ele gera impacto direto no cuidado da saúde e, mais do que isso, na capacidade científica deste Estado”, declarou.
Vahan Agopyan, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, celebrou a habilidade de unir recursos estaduais e federais, congregando os esforços da Finep, FAPESP, CNPq e Capes para oferecer o que há de melhor na medicina à população usuária do SUS.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também elogiou a iniciativa por meio de uma mensagem de vídeo, enquanto o vice-presidente, Geraldo Alckmin, enviou uma mensagem parabenizando o lançamento do novo laboratório, reforçando o apoio institucional à vanguarda científica.
A cerimônia de inauguração contou ainda com a participação de Luiz Antonio Pessan, diretor de Programas e Bolsas no País da Capes; Meiruze Sousa Freitas, diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde; Luiz Carlos Zamarco, secretário municipal da Saúde de São Paulo; Raiane Assumpção, reitora da Unifesp; e, por vídeo, Helena Nader, presidente da ABC (Academia Brasileira de Ciências).
Na foto: Olival Freire (CNPq), Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, Soraya Smaili, coordenadora do novo centro, Antonio Luis Elias (Finep), Raiane Assumpção, reitora da Unifesp, Luiz Antonio Pessan (Capes), Vahan Agopyan, secretário de C&T de SP, Luiz Carlos Zamarco, secretário municipal da Saúde e Meiruze Sousa Freitas (Ministério da Saúde). (Foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)
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