ATAQUES EM MASSA
Ucrânia lança centenas de drones contra a Rússia durante fórum econômico
Decisão de escalar ações de longo alcance, liderada pelo governo ucraniano, visa infraestrutura militar russa. Ataques coincidem com o último dia do Fórum Econômico de São Petersburgo, onde o presidente russo Vladimir Putin descartou negociações com o líder ucraniano Volodymyr Zelensky.
A Ucrânia lançou centenas de drones contra território russo nas primeiras horas deste sábado, 6 de junho de 2026. A ação estratégica, determinada pelo governo ucraniano, visou expressamente regiões próximas a São Petersburgo, cidade que sedia o Fórum Econômico Internacional (SPIEF), o mais importante evento empresarial da Rússia. A decisão de intensificar os ataques de longo alcance, segundo o presidente Volodymyr Zelensky, é uma "resposta justa" à agressão russa, buscando pressionar o Kremlin e demonstrar a capacidade de atingir alvos em território inimigo, impactando diretamente a percepção de segurança e a estratégia militar russa. O motivo por trás da escalada reside na busca por encerrar a guerra, enquanto os esforços diplomáticos permanecem estagnados. Isso importa ao evidenciar uma nova fase no conflito, onde a Ucrânia assume uma postura mais ofensiva em termos de alcance, desafiando a narrativa russa e buscando forçar uma reavaliação por parte de Moscou.
Os ataques sincronizados deixaram um rastro de destruição e tensão. Em todo o país, pelo menos um civil morreu e um depósito de petróleo foi incendiado no sul. Muitos drones tiveram como alvo a região de São Petersburgo, em um segundo ataque significativo contra a cidade em menos de uma semana. Apesar de autoridades russas não terem reportado danos graves na segunda maior cidade do país, o governador Aleksandr Beglov fez um chamado incomum para que os moradores permanecessem em casa, e o governador de Leningrado, Aleksandr Drozdenko, informou que mais de 140 drones foram derrubados em sua região. As defesas antiaéreas russas, segundo o Ministério da Defesa, interceptaram um total de 376 drones em diversas regiões, incluindo Belgorod, Briansk, Kaluga, Kursk, Leningrado, Novgorod, Oriol, Pskov, Rostov, Riazan, Smolensk, Tver, Tula, Moscou, além das regiões da Crimeia e Abkházia, e sobre as águas dos mares de Azov e Negro.
A escalada no uso de drones ocorre em um momento de impasse nas negociações de paz. A Ucrânia e a Rússia intensificaram os ataques aéreos nos últimos meses, enquanto os esforços diplomáticos liderados pelos Estados Unidos para encerrar o conflito, iniciado em fevereiro de 2022, seguem estagnados. Em contrapartida, o presidente russo, Vladimir Putin, declarou na sexta-feira (5), durante o próprio Fórum Econômico de São Petersburgo, conhecido como "Davos russo", que não via "sentido" em se reunir com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, até que um acordo de paz fosse alcançado. A declaração foi respondida neste sábado pelo ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga, que afirmou que "Putin perdeu sua oportunidade de sair de sua guerra fracassada". A decisão de Zelensky de descrever os ataques como "resposta justa" sublinha a percepção ucraniana de que as sanções e a pressão militar estão surtindo efeito, forçando a Rússia a enfrentar as consequências de sua agressão.
O conflito, que já causou centenas de milhares de mortos e o deslocamento de milhões de pessoas, continua a devastar amplas áreas do leste e sul da Ucrânia. Paralelamente aos ataques ucranianos, a Rússia também retomou suas ofensivas. No sul, foram encontrados os corpos de dois homens desaparecidos após um ataque em Zaporizhzhia. Na região central de Dnipropetrovsk, ataques com drones e artilharia russa mataram uma pessoa e deixaram outras três feridas. A decisão ucraniana de atingir o território russo, especialmente em um evento de grande projeção internacional como o SPIEF, sinaliza uma determinação crescente em impor custos ao agressor e buscar uma solução que preserve a dignidade e soberania do país.

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