NOVA ESPERANÇA ONCOLÓGICA
UCL revela imunoterapia que barra retorno de câncer colorretal
Estudo com 32 pacientes da University College London mostra que doença não voltou em quase 3 anos, oferecendo nova esperança no combate à doença.
Pesquisadores da University College London (UCL) revelaram, nesta quarta-feira, 06/05/2026, uma estratégia promissora que pode erradicar a recorrência de um tipo específico de câncer colorretal. A aplicação de imunoterapia antes da cirurgia, conforme demonstrado em um estudo recente, oferece uma nova esperança para milhares de pacientes, minimizando o medo do retorno da doença e redefinindo o caminho para a cura.
O estudo, cujos resultados foram divulgados pela ScienceDaily, acompanhou um grupo de 32 pacientes. Todos receberam imunoterapia por nove semanas antes de serem submetidos à cirurgia para remover o câncer de cólon. Após quase três anos de acompanhamento intensivo, nenhum dos participantes registrou o retorno da doença, um resultado que desafia as expectativas do tratamento tradicional.
Esta abordagem revolucionária foi possível porque os pacientes tinham câncer colorretal em estágio 2 ou 3. Nessas fases, a doença ainda pode ser tratada com intenção curativa, mas carrega um risco considerável de voltar após o tratamento convencional. O segredo reside nas células tumorais que, nesse perfil de paciente, acumulam muitas alterações no DNA.
Essas mutações funcionam como "sinais de alerta" para o sistema imunológico do corpo, tornando o câncer mais facilmente reconhecível e combatível pela imunoterapia. É vital ressaltar que o efeito observado no estudo não se estende a todos os casos de câncer de cólon ou reto, mas beneficia um grupo cuidadosamente selecionado de pacientes.
No tratamento tradicional, os pacientes geralmente passam primeiro pela cirurgia e, em seguida, podem enfrentar meses de quimioterapia na tentativa de diminuir a chance de recidiva. A pesquisa da UCL mostra que, na abordagem padrão, cerca de 25% dos pacientes tratados com cirurgia seguida de quimioterapia podem apresentar o retorno do câncer em até três anos – uma estatística que não se repetiu no grupo estudado.
A imunoterapia, utilizando o medicamento pembrolizumabe, já é um recurso em alguns tratamentos oncológicos. Diferentemente da quimioterapia, que ataca células de multiplicação rápida, a imunoterapia atua fortalecendo as defesas do corpo para que estas enxerguem e combatam melhor o tumor. No contexto deste estudo, o medicamento foi aplicado antes da cirurgia, numa tática conhecida como tratamento neoadjuvante, que visa reduzir ou controlar o tumor antes da operação.
Os resultados englobam tanto pacientes cujos tumores desapareceram completamente quanto aqueles que ainda apresentavam pequenos vestígios da doença após a terapia. Segundo os pesquisadores, nesses casos, o câncer remanescente não progrediu nem se espalhou durante o período de acompanhamento.
Para aprimorar a personalização do tratamento, os cientistas analisaram amostras de sangue para entender a eficácia da terapia e identificar quem tem maior probabilidade de ser beneficiado. A equipe desenvolveu exames personalizados capazes de detectar o DNA do tumor circulante no sangue.
A descoberta mais animadora é que, quando o DNA do tumor desaparecia do sangue, os pacientes demonstravam maiores chances de permanecerem livres da doença. Para os pesquisadores, esse tipo de exame pode acelerar o acompanhamento da resposta ao tratamento, indicando a eficácia da imunoterapia antes mesmo de novas decisões terapêuticas.
A visão para o futuro é que esses testes ajudem a moldar tratamentos ainda mais individualizados. Pacientes com boa resposta à imunoterapia poderiam necessitar de menos intervenções antes ou depois da cirurgia, enquanto aqueles com maior risco de progressão ou retorno do câncer poderiam receber terapias adicionais e mais intensas.
Apesar dos resultados serem extremamente promissores, os pesquisadores enfatizam que o estudo ainda é inicial. A pesquisa envolveu somente 32 pacientes, atendidos em cinco hospitais no Reino Unido, e todos compartilhavam o mesmo perfil genético do tumor. Portanto, embora os achados reforcem a importância do diagnóstico precoce e da análise minuciosa das características de cada tumor, eles não podem ser generalizados para todos os casos de câncer colorretal. Contudo, abrem um caminho transformador para a medicina oncológica.
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