ALERTA FINANCEIRO

UBS destaca otimismo, mas Brasil freia em pauta fiscal

UBS destaca otimismo, mas Brasil freia em pauta fiscal

Daniel Bassan, CEO da UBS no Brasil, alerta sobre a volatilidade do capital estrangeiro. Dívida alta e Selic em 14,5% minam oportunidades.

Investidores estrangeiros demonstram um otimismo crescente em relação ao Brasil, mas a persistente questão fiscal do país levanta sérias preocupações, conforme destacado por Daniel Bassan, CEO da UBS no Brasil. A declaração foi feita nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, durante o Brazil Week, em Nova York, onde o executivo alertou que, embora o capital esteja fluindo, a ausência de um plano fiscal de longo prazo pode afastar os recursos rapidamente, impactando diretamente o crescimento econômico e a geração de empregos.

Bassan enfatizou que a demanda dos investidores é clara: o Brasil precisa iniciar ajustes fiscais urgentes. "Um país com dívida alta não funciona", afirmou, ressaltando que essa não é uma questão de ano eleitoral ou de preferência por um candidato específico, mas sim a busca por um projeto de nação com visão de longo prazo, que transcenda governos e gerações.

O Brasil, segundo o CEO, possui vastas oportunidades, especialmente dada sua posição geopolítica estratégica, um fator ainda mais relevante no cenário atual de conflitos como o do Oriente Médio. No entanto, o fluxo de dinheiro, por mais expressivo que seja, permanece volátil. A capacidade de saída desse capital do mercado é "um pulo", disse Bassan, exigindo do país uma ação eficiente para capitalizar suas vantagens.

Dados recentes reforçam a fragilidade dessa balança. Até abril de 2026, a bolsa de valores brasileira registrava um saldo positivo de R$ 56,54 bilhões em capital estrangeiro, mais que o dobro dos R$ 25,47 bilhões do ano passado. Contudo, desde o pico atingido em janeiro de 2026, a entrada de capital estrangeiro na B3 despencou cerca de 88%, um sinal de alerta sobre a desconfiança que a questão fiscal inspira.

A raiz do problema fiscal, explica o executivo, conecta-se diretamente à alta taxa de juros no Brasil. A Selic, atualmente em 14,5%, sufoca a margem de manobra do empreendedor. "Estamos usando esse remédio há muito tempo, o que atrapalha. Para construir um negócio, é preciso acertar várias vezes, mas errar também. Com juros altos, a empresa não pode cometer erros", pontuou Bassan, ilustrando o impacto na dignidade e na capacidade de inovação de quem busca empreender.

Essa conjuntura gera uma aversão ao risco entre os investidores brasileiros, privando empresas da oportunidade de atrair capital via renda variável. Essa carência de investimentos limita severamente os caminhos que as companhias podem seguir, dificultando seu crescimento e o desenvolvimento de um ecossistema empresarial robusto, essencial para a prosperidade social.

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