TRUMP ROMPE TRÉGUA
Trump declara fim de cessar-fogo com Irã após nova escalada de ataques
Presidente dos Estados Unidos encerra acordo provisório após bombardeios e retaliações, elevando a tensão no Estreito de Ormuz. Negociações diplomáticas seguem incertas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quinta-feira, 09/07/2026, que considera encerrado o acordo provisório de cessar-fogo com o Irã, após uma nova e grave troca de ataques entre os dois países. A decisão, comunicada durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Ancara, na Turquia, acontece horas após forças americanas bombardearem mais de 80 alvos iranianos e de Teerã retaliar com ataques contra bases militares dos EUA no Bahrein e no Kuwait. “Para mim, acho que acabou. No que me diz respeito, isso é apenas perda de tempo”, afirmou Trump, classificando os iranianos como “pessoas doentes” e alertando para o uso de armas nucleares caso o Irã as possua. Apesar da declaração, o presidente sinalizou que não impedirá a continuidade das negociações diplomáticas entre representantes dos dois países, embora considere as conversas infrutíferas.  A nova escalada de tensão ocorre poucos dias após Washington suspender uma autorização temporária que permitia ao Irã vender petróleo bruto e derivados no mercado internacional. A licença, emitida pelo Departamento do Tesouro em 22 de junho, suspendia parcialmente sanções econômicas e autorizava exportações até 21 de agosto. Com a revogação, os Estados Unidos estabeleceram o dia 17 de julho como prazo para encerramento das operações comerciais em andamento. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), a ofensiva americana teve como objetivo impor custos ao Irã após ataques contra embarcações comerciais que cruzavam o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo e gás natural. Os bombardeios atingiram mais de 80 alvos, incluindo sistemas de defesa aérea, centros de comando e controle, radares costeiros, baterias de mísseis superfície-ar, locais de lançamento de drones e mais de 60 embarcações da Guarda Revolucionária Iraniana. Em comunicado, o Centcom afirmou que as Forças Armadas estão “preparadas para responsabilizar o Irã quando o acordo não for cumprido ou respeitado.” A imprensa estatal iraniana informou explosões em diversas regiões do país, incluindo Bandar Mahshahr e próximas ao complexo nuclear de Bushehr. Em resposta, a Guarda Revolucionária anunciou ataques contra instalações militares americanas no Bahrein e no Kuwait, e relatou a derrubada de um drone americano MQ-9 que, segundo Teerã, tentava interferir em suas operações. O governo do Kuwait informou ter interceptado dois mísseis balísticos e 13 drones iranianos, com danos à infraestrutura elétrica do país. Bahrein, sede da 5ª Frota da Marinha dos Estados Unidos, e o Kuwait, que abriga tropas do Exército americano, emitiram alertas de mísseis. O Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, principal comando militar conjunto do Irã, classificou a ofensiva americana como “um ato flagrante de agressão” e prometeu uma “resposta devastadora”, afirmando que o país não permitirá interferência dos Estados Unidos na administração do Estreito de Ormuz. O Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que os ataques americanos e a retomada das restrições ao petróleo tornaram “ineficaz” o acordo firmado no mês passado, violando o entendimento de 60 dias para negociações de um acordo permanente. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, responsabilizou Washington pelo agravamento da crise, escrevendo na rede X: “A era da intimidação e da extorsão acabou. Isso não leva a lugar nenhum. Nós não recuamos”. O vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, afirmou que Teerã responderá com “ações decisivas”. Grande parte da tensão entre Washington e Teerã concentra-se no Estreito de Ormuz, por onde transitava, antes da guerra, aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural comercializados mundialmente. Como parte do acordo provisório, navios poderiam atravessar a hidrovia sem pagamento de tarifas por 60 dias. O Irã, contudo, passou a defender a cobrança de taxas futuras, medida rejeitada pelos EUA e por países árabes do Golfo. Os ataques mais recentes ocorreram após três embarcações serem atingidas na região, com um petroleiro incendiando-se próximo à costa de Omã. A televisão estatal iraniana informou que o navio foi atacado após ignorar advertências, sem assumir oficialmente a responsabilidade. Apesar da ruptura anunciada por Trump, autoridades americanas afirmam que as negociações diplomáticas não foram encerradas definitivamente. Representantes de ambos os países continuam trabalhando para buscar um acordo permanente, embora as perspectivas se tornem mais incertas. Entre os principais pontos de impasse estão o programa nuclear iraniano, o desbloqueio de ativos financeiros do Irã, o futuro das exportações de petróleo e a definição das regras para navegação no Estreito de Ormuz. As conversas, retomadas na semana anterior, foram interrompidas pelas cerimônias fúnebres do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei. Segundo o Catar, mediador das negociações, uma nova rodada deverá ser marcada após o encerramento dos funerais. A nova escalada militar impactou o mercado. O petróleo Brent subiu mais de 6%, aproximando-se de US$ 79 por barril, enquanto bolsas internacionais registraram queda. Dados do setor marítimo indicaram que pelo menos quatro navios petroleiros e transportadores de gás desistiram de atravessar o Estreito de Ormuz, aumentando preocupações sobre a segurança da rota.
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