EFICIÊNCIA EM SAÚDE

Tribunal de Contas da União vai monitorar eficiência de 2.743 hospitais do SUS

Prédio do Tribunal de Contas da União (TCU).
TCU em Brasília.

Plano nacional busca identificar desperdícios e falhas de gestão, com foco em 2.743 unidades públicas. Medida visa induzir melhorias sem caráter punitivo.

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou nesta segunda-feira, 25/05/2026, um plano nacional para monitorar a eficiência de 2.743 hospitais públicos gerais e especializados do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país. A decisão visa identificar desperdícios, falhas de gestão e oportunidades de melhoria no uso de recursos hospitalares, impactando diretamente a qualidade do atendimento e a dignidade dos pacientes.

A iniciativa, que integra o Projeto Eficiência na Saúde, utilizará dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) e do Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA), além da metodologia de Análise Envoltória de Dados (DEA). Essa abordagem comparará unidades com características semelhantes para medir seu desempenho, lançando luz sobre onde os recursos públicos podem ser otimizados para beneficiar a população.

Estudos anteriores, referenciados no acórdão 1151/2026 – Plenário do TCU, já apontavam que a eficiência média dos hospitais do SUS flutua entre 28% e 50%. Essa margem sugere um desperdício considerável de verbas públicas e, segundo o documento, pode contribuir para um déficit estimado de até R$ 57,5 bilhões no sistema até 2030, comprometendo a capacidade de atendimento e o acesso a tratamentos essenciais.

O monitoramento abrangerá fatores críticos como baixa eficiência hospitalar, inconsistências em sistemas de informação, variações na produção de serviços, alta rotatividade de profissionais – que afeta a continuidade do cuidado – e internações que poderiam ser prevenidas com um fortalecimento da atenção primária, garantindo que os recursos sejam direcionados para as necessidades mais urgentes.

A cada trimestre, os hospitais cujo desempenho for igual ou inferior a 50% receberão relatórios individualizados. Esses documentos incluirão análises detalhadas de eficiência, comparações com unidades de referência e propostas concretas de melhoria, oferecendo um guia para aprimorar a gestão e, consequentemente, o bem-estar dos pacientes.

O ministro Antônio Anastasia, relator do processo, ressaltou que a medida tem um caráter orientador, com o objetivo de induzir melhorias na gestão e elevar a qualidade da rede assistencial, sem intenção punitiva. A transparência e o apoio à gestão são fundamentais para garantir um SUS mais eficiente e equitativo para todos os brasileiros.

Os resultados deste acompanhamento serão compartilhados com o Ministério da Saúde, tribunais de contas estaduais, conselhos de saúde e órgãos de controle interno. Essa colaboração visa fortalecer as auditorias e aprimorar continuamente a gestão hospitalar em todo o território nacional, assegurando a responsabilidade no uso dos recursos públicos.

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