IA E JORNALISMO

The Economist lança aplicativo para o ChatGPT focado em dados de pesquisas dos Estados Unidos

Ilustração do ChatGPT e da OpenAI
ChatGPT / OpenAI

Ferramenta inédita permite que usuários interajam com visualizações de dados da publicação. Objetivo é alcançar público jovem e testar novas formas de descoberta de conteúdo.

O veículo britânico The Economist lançou em 28 de maio de 2026 um aplicativo próprio para o ChatGPT, marcando o primeiro desenvolvimento desse tipo por uma grande publicação de jornalismo. Denominado “The Economist – Graphs”, o programa opera dentro do ecossistema do ChatGPT e permite que os usuários explorem as visualizações de dados da publicação.

Inicialmente, a ferramenta se concentra em dados de pesquisas de opinião dos Estados Unidos. Após a instalação, os usuários do robô de inteligência artificial da OpenAI podem consultar informações sobre o monitor de popularidade de Donald Trump, mantido pela publicação. O sistema apresenta gráficos e detalhes de dados segmentados por Estado, perfil demográfico e temas de votação.

Ilustração do ChatGPT e da OpenAI
ChatGPT / OpenAI

Com esta iniciativa, The Economist almeja atingir a vasta audiência de mais de 900 milhões de usuários ativos semanais do ChatGPT. “Públicos mais jovens estão adotando ferramentas como o ChatGPT como primeira opção para tirar dúvidas ou buscar informações. Esse comportamento está crescendo muito, e não é uma tendência que possamos ignorar”, afirma Josh Muncke, vice-presidente de IA generativa da Economist.

A equipe do jornal buscou testar a viabilidade de criar uma ferramenta ágil para avaliar essa nova modalidade de descoberta de conteúdo. Em dezembro de 2025, a OpenAI introduziu sua loja de aplicativos, possibilitando que marcas desenvolvam experiências personalizadas na plataforma. Esses programas vão além dos assistentes customizados simples (CustomGPTs), disponíveis na GPT Store. Desenvolvedores podem programar interfaces e lógicas de conversa próprias utilizando o Model Context Protocol (MCP), um protocolo padrão que conecta modelos de inteligência artificial a ferramentas e bancos de dados externos. Todos os aplicativos precisam de aprovação da OpenAI antes de serem publicados.

Embora plataformas de informações financeiras e de mercado, como MT Newswires e Factiva (da Dow Jones), já tenham disponibilizado ferramentas similares, The Economist se destaca como pioneiro entre os veículos de notícias gerais de consumo. Segundo Muncke, o desenvolvimento da ferramenta iniciou-se no começo de 2026.

Atualmente, The Economist não possui acordos de licenciamento de conteúdo com a OpenAI ou outras grandes empresas de inteligência artificial. A decisão de restringir o projeto piloto aos dados de pesquisas norte-americanas visou, em parte, evitar impactos ao modelo de assinaturas do jornal, impedindo que o ChatGPT acesse gratuitamente grandes volumes de reportagens restritas. A equipe de IA colaborou com os jornalistas de dados do veículo para definir limites de segurança e aprimorar a apresentação visual do aplicativo.

“O monitor de popularidade do Trump já é um projeto aberto, que fica fora do nosso bloqueio de conteúdo (paywall)”, explica Muncke, referindo-se ao projeto hospedado no site da Economist. “Pensamos que poderíamos explorar esse espaço sem expor diretamente a profundidade do nosso conteúdo escrito premium.” O lançamento coincide com o ciclo das eleições legislativas de meio de mandato (midterms) nos EUA.

Para usuários interessados no desempenho eleitoral de Trump, o aplicativo responde a questionamentos sobre quais Estados registram os maiores índices de aprovação do político, como os números atuais se comparam aos de seu primeiro mandato na Casa Branca e qual é sua popularidade entre eleitores jovens. O foco em gráficos estruturados busca oferecer uma experiência distinta das respostas em texto puro geradas pelo ChatGPT.

O objetivo final de The Economist é consolidar o reconhecimento de sua marca entre os mais jovens. Em geral, o ChatGPT direciona pouco tráfego de usuários para os sites de veículos jornalísticos. Em vez de buscar cliques diretos, Muncke descreve o lançamento como uma missão de apuração para compreender o comportamento do público que utiliza robôs de conversação (chatbots) para consumir notícias.

“Estamos testando o terreno. Tentamos fazer isso de uma maneira sensata, conectada aos princípios de confiabilidade, qualidade e integridade do The Economist, em vez de apenas agir rápido e cometer erros. Esse não é o nosso modelo de negócios”, conclui Muncke.

Andrew Deck é repórter do Nieman Lab e cobre inteligência artificial. Texto traduzido por Isadora Vila Nova.

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