RESGATE DA HISTÓRIA
Terra de Minas utiliza IA para recriar a imagem histórica de Chica da Silva
Programa utiliza tecnologia para desconstruir estereótipos, baseando-se em pesquisas acadêmicas sobre a vida e a aparência real de Chica da Silva.
O programa Terra de Minas, exibido em 11 de julho de 2026, decidiu utilizar Inteligência Artificial para reconstruir a imagem de Chica da Silva, 230 anos após seu falecimento. A iniciativa busca confrontar o imaginário popular — historicamente moldado por romances, filmes e novelas que frequentemente a retrataram de forma distorcida — com registros documentais e evidências históricas.
A decisão, fundamentada em uma curadoria rigorosa, visa humanizar a figura de Chica da Silva, apresentando-a além dos estereótipos de sensualidade e manipulação que marcaram sua trajetória na historiografia tradicional. Ao utilizar a Inteligência Artificial como ferramenta de pesquisa visual, a equipe técnica priorizou o respeito à dignidade da personagem e a precisão do contexto social do Arraial do Tijuco.
Para garantir a fidelidade histórica, o projeto baseou-se em estudos da historiadora Júnia Ferreira Furtado, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e na colaboração da professora Carolina Bicalho, da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). O processo artístico, coordenado pelo designer Igor Paiva, integrou informações do "Livro de Costumes", produzido por Carlos Julião no século XVIII, para recriar vestimentas e acessórios com autenticidade.
Um dos pontos cruciais da reconstrução foi a opção deliberada por não representar Chica da Silva com perucas. A ausência de respaldo documental nos inventários da época e a identificação do adereço como predominantemente masculino no século XVIII levaram a equipe a descartar o elemento, frequentemente presente em dramatizações anteriores.
Além disso, o trabalho buscou retratar diferentes fases de sua vida, desde o período em que era escravizada — quando era identificada como Francisca Parda — até sua ascensão na elite colonial ao lado de João Fernandes de Oliveira. As ilustrações refletem a robustez física da fase adulta como um sinal de prestígio da época, distanciando-se de padrões de beleza contemporâneos e da sexualização recorrente em mídias ficcionais.
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