GOVERNO E CONGRESSO
Teresa Leitão assume liderança do governo no Senado sem resolver crise entre Lula e Alcolumbre
Escolha de senadora pelo PT para cargo não deve alterar cenário de articulação no Congresso Nacional devido ao rompimento entre o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para liderar o governo no Senado. A decisão, tomada nesta segunda-feira, 29/06/2026, visa preencher a lacuna deixada por Jaques Wagner (PT-BA), que se afastou do cargo após ser alvo da operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Apesar da nomeação, a expectativa é que o cenário de articulação do Executivo no Congresso Nacional não se altere significativamente, dado o rompimento entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
A senadora Teresa Leitão assume a função com a missão de destravar propostas importantes para o governo, como as Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que tratam do fim da escala 6x1 e da Segurança Pública. Ambas as matérias estão paralisadas na Mesa Diretora do Senado.
Em sua primeira declaração como líder, Teresa Leitão enfatizou seu compromisso em fortalecer a articulação entre o Palácio do Planalto, a base aliada e o parlamento, com especial atenção ao diálogo com o presidente Davi Alcolumbre. “Atuarei para fortalecer a articulação entre o Palácio do Planalto, a base aliada e os parlamentares, especialmente os líderes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, contribuindo para a construção de consensos e para o avanço das pautas de interesse do governo e do povo brasileiro, como o fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública e outras medidas voltadas ao desenvolvimento do país, à justiça social e à melhoria da qualidade de vida da população”, declarou a senadora.
A senadora deve se reunir com o presidente Lula nesta segunda-feira (29) para alinhar as estratégias de atuação. A escolha de Teresa Leitão foi motivada por seu perfil considerado moderado e por não estar envolvida em campanhas de reeleição, o que a torna uma figura bem vista entre senadores, inclusive da oposição. Ela integra a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB) dentro do PT.
Contudo, Teresa Leitão não possui o mesmo peso político de Jaques Wagner e, apesar de manter uma boa relação, não integra o círculo mais próximo de aliados de Alcolumbre. A indicação foi interpretada por senadores como uma estratégia de Lula para manter a liderança do governo com um membro do PT e evitar grandes confrontos com o Senado até as eleições.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente Lula foram vistos lado a lado durante a posse de Nunes Marques como presidente do TSE, mas interlocutores apontam que a relação permaneceu distante. Interlocutores de Alcolumbre indicam que a intenção é colocar a PEC da Segurança Pública em votação antes do recesso parlamentar, com a deliberação prevista para ocorrer antes das eleições de outubro. No entanto, a proposta ainda aguarda despacho para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a definição de um relator.
As lideranças do governo no Congresso e no Senado enfrentam fragilidade desde o rompimento entre Lula e Alcolumbre, ocorrido após a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). A resolução dessa tensão é vista por ambos os lados como dependente de um encontro entre os presidentes, que não tem data prevista.
No Congresso, a liderança do governo é exercida pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que se encontra em uma posição delicada, sendo aliado de Alcolumbre e dependendo dele para sua reeleição. Sua atuação tem se concentrado mais em política estadual do que em Brasília. Recentemente, Randolfe esteve ao lado de Alcolumbre quando o presidente do Senado cancelou uma sessão conjunta por falta de acordo sobre vetos presidenciais.
O rompimento entre Lula e Alcolumbre afetou diretamente a articulação do governo, que passou a ser feita por membros do Executivo sem a intermediação do líder do governo no Senado. Isso ficou evidente em reuniões de Alcolumbre com ministros como José Múcio (Defesa) e Dario Durigan (Fazenda) para debater projetos de interesse do governo.
A expectativa geral é que, mesmo com a interlocução mais amena de Teresa Leitão com Alcolumbre, o cenário político permaneça inalterado, com o presidente do Senado mantendo autonomia nas decisões até o período eleitoral.
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