IRREGULARIDADES EM OBRA PÚBLICA

TCE/RN aponta graves falhas em programa milionário de São Gonçalo do Amarante financiado com empréstimo internacional

Tribunal de Contas do Estado aponta graves falhas em programa milionário de São Gonçalo do Amarante.
Programa milionário em São Gonçalo do Amarante é alvo de auditoria por falhas na gestão.

Auditoria do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE/RN) identificou falhas graves na gestão de programa milionário. Prefeitura alega transição de governo e reestruturação da Controladoria.

Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE/RN) revelou fragilidades significativas na gestão do Programa de Ações Estruturantes em São Gonçalo do Amarante, município da Grande Natal. A decisão de fiscalizar o programa, que utiliza recursos do Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata, foi motivada pela necessidade de garantir a correta aplicação de fundos internacionais e a efetividade das obras de infraestrutura, saneamento, mobilidade urbana e desenvolvimento urbano. O programa movimenta aproximadamente 34 milhões de dólares em empréstimos externos, com uma contrapartida municipal que eleva o montante para mais de 42,5 milhões de dólares, impactando diretamente a vida dos cidadãos e o desenvolvimento do município.

Apesar das contas contábeis de 2025 terem recebido parecer favorável, a fiscalização do TCE/RN, concluída recentemente, detectou uma série de inconsistências que afetam a aplicação dos recursos. Entre os problemas apontados estão ordens de pagamento sem assinatura do responsável pela despesa, notas fiscais sem comprovação de ateste e boletins de medição de obras com informações insuficientes. Tais falhas comprometem a transparência e a segurança dos gastos públicos, afetando a dignidade das obras e a confiança da população.

Agravando o quadro, foram identificadas ausências de comprovantes de recolhimento de tributos e casos em que despesas foram empenhadas somente após a execução dos serviços, contrariando a legislação. Somente no ano passado, o programa registrou cerca de R$ 24 milhões em despesas, com aproximadamente 88% desse valor analisado pela equipe técnica do tribunal. A falta de controle rigoroso pode levar ao desvio de recursos e à ineficiência na entrega de serviços essenciais à população.

Inspeções presenciais constataram obras paralisadas desde 2024, serviços deteriorados e ausência de cronograma para retomada. Problemas ambientais também foram destacados, como licenças vencidas, documentação incompleta e gastos superiores a R$ 300 mil em obras sem o devido licenciamento. A glosa de aproximadamente R$ 904 mil relacionada a serviços com falhas de execução demonstra o desperdício de dinheiro público e o impacto negativo na qualidade de vida dos munícipes.

O relatório do TCE/RN também apontou atrasos no pagamento das obrigações do financiamento internacional, incluindo juros e amortizações. Em alguns casos, a União precisou executar a garantia contratual do empréstimo, gerando cerca de R$ 30 mil em juros de mora. O tribunal classificou este valor como despesa evitável, decorrente diretamente de falhas administrativas que poderiam ter sido prevenidas com uma gestão mais atenta aos prazos e obrigações contratuais. Esta situação gera um ônus financeiro desnecessário para o Estado e para os cofres públicos.

Em resposta aos apontamentos, a administração municipal alegou que parte das inconsistências ocorreu em razão da transição de governo e da reestruturação da Controladoria. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo de São Gonçalo do Amarante informou que medidas corretivas estão sendo planejadas. No entanto, o TCE concluiu que as ações ainda não produziram efeitos concretos no período auditado, evidenciando a necessidade de ações mais assertivas e imediatas para a recuperação da normalidade na gestão do programa.

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