CRISE HUMANITÁRIA AGUDA

Surto de cólera agrava colapso do sistema de saúde no Iêmen

Trabalho médico em hospital do Iêmen durante surto de cólera.
Equipes médicas no Hospital Al Jumhouri em Taiz intensificam atendimento a pacientes com sintomas de cólera.

O aumento das infecções ameaça populações vulneráveis em meio à precariedade do saneamento e ao impacto prolongado da guerra no país.

O sistema de saúde do Iêmen enfrenta um novo desafio crítico com a rápida disseminação de casos de cólera, doença que potencializa a vulnerabilidade social e a insegurança sanitária em diversas províncias. A situação foi confirmada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em 11/07/2026, destacando que a combinação entre guerra prolongada e falta de infraestrutura básica coloca milhares de vidas em risco imediato.

No Hospital Al Jumhouri, situado na província de Taiz, o impacto da enfermidade é visível nas salas de emergência superlotadas. Pacientes chegam em estados graves de desidratação, exigindo intervenção médica imediata que o sistema local, já debilitado, luta para prover. Fatima Qaed, uma das pacientes atendidas na unidade, descreveu o sofrimento físico e psicológico causado pela infecção. Com 60 anos e comorbidades como diabetes e pressão alta, a moradora de Taiz relata que a rapidez da deterioração de sua saúde gerou um temor real pela própria vida antes de receber o suporte necessário.

Os registros da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontam quase 5 mil casos suspeitos e sete mortes confirmadas desde o início de 2026. O cenário é particularmente preocupante nas regiões sob controle do governo iemenita, onde o acesso à água potável e serviços de saneamento básico é restrito. Segundo Tayseer Al-Samaei, porta-voz do Departamento de Saúde de Taiz, a propagação da cólera é uma consequência direta do conflito armado e da drástica redução no financiamento de ajuda humanitária internacional.

Atualmente, o Iêmen figura entre as nações com maior incidência da doença no globo, ocupando a segunda posição na Região do Mediterrâneo Oriental da OMS, superado apenas pelo Afeganistão. A contenção deste surto, que não possui prazo para término, depende da estabilização da rede de abastecimento hídrico e do aporte urgente de insumos médicos essenciais para as unidades hospitalares que operam no limite de sua capacidade.

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