TRANSPARÊNCIA NA INVESTIGAÇÃO
Supremo derruba sigilo de inquérito sobre organização criminosa no Maranhão
Decisão do ministro Flávio Dino revela suspeitas de obstrução de justiça envolvendo senador e apura suposto esquema de propina em órgãos públicos estaduais.
O ministro do Supremo Flávio Dino determinou a retirada do sigilo de decisões proferidas em um inquérito que investiga a existência de uma suposta organização criminosa instalada em órgãos públicos do Maranhão. A medida, tornada pública nesta sexta-feira (14), visa esclarecer apurações sobre desvios e uma possível tentativa de obstrução de justiça que alcançaria parlamentares da República.
As investigações ganharam corpo após a análise de um aparelho celular apreendido em 2025, pertencente ao senador Weverton Rocha, do PDT. Conforme a Polícia Federal, os dados extraídos do dispositivo apontaram indícios de interferência no caso do assassinato de um empresário em São Luís, ocorrido em agosto de 2022. O crime, inicialmente tratado pela Polícia Civil como um desentendimento pessoal, estaria, segundo os investigadores, vinculado a um esquema de divisão de propinas em contratos públicos estaduais que envolveria o grupo do governador Carlos Brandão, do MDB.
O inquérito, que tramitou anteriormente no Superior Tribunal de Justiça sob a relatoria do ministro Humberto Martins, foi transferido para o STF em outubro de 2025. A Polícia Federal destacou a existência de uma relação de proximidade entre o senador Weverton Rocha e o ministro Martins, manifestada em trocas de mensagens e ligações que, segundo os investigadores, ocorreram de modo direto e com menções a processos sob análise judicial.
Outro ponto central da apuração envolve Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança e de Assuntos Legislativos do Maranhão. Em prisão domiciliar desde julho por ordem de Flávio Dino, ele é acusado pela PF de instruir familiares de um réu a alterarem depoimentos para blindar o esquema criminoso. Documentos sugerem que pagamentos em espécie teriam sido oferecidos em troca de falsos testemunhos.
Enquanto as investigações avançam, as defesas dos citados apresentam argumentos distintos. O senador Weverton Rocha nega qualquer ligação com os fatos, classificando o diálogo institucional com magistrados como parte normal de seu exercício parlamentar. O governador Carlos Brandão, por meio de sua assessoria, questiona a competência do Supremo no caso, enquanto Daniel Brandão refuta participação em negociações ilícitas. O ministro Humberto Martins declarou que não se manifestará devido ao sigilo processual, e a defesa de Raimundo Cutrim aguarda acesso integral aos autos.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário