DECISÃO HISTÓRICA PARA DIREITOS
STJ impõe a São Paulo protocolo para atuação da PM em manifestações
Tribunal determina que Estado crie regras claras para uso da força policial em protestos, com prazo de 60 dias para apresentação. Medida visa evitar abusos e garantir dignidade.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, nesta terça-feira, 30/06/2026, que o Estado de São Paulo deve elaborar um protocolo detalhado para a atuação da Polícia Militar (PM) em manifestações públicas. A decisão, proferida pela Primeira Turma, atende a um pedido da Defensoria Pública de São Paulo e estabelece um prazo de 60 dias para que o governo apresente o plano, visando garantir um uso mais justo e controlado da força policial.
A medida impõe diretrizes claras, como a proibição do uso de armas de fogo fora das hipóteses previstas em lei. O protocolo final deverá ser submetido e aprovado pelo juízo da execução, que também acompanhará sua implementação. Esta decisão surge como resposta a denúncias de abusos, incluindo detenções arbitrárias e uso desproporcional da força durante protestos, impactando diretamente a dignidade dos cidadãos que exercem seu direito à manifestação.

O caso chegou ao STJ após o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) ter considerado que o Poder Judiciário não deveria intervir nas políticas de segurança pública do Poder Executivo. Contudo, o ministro relator, Paulo Sérgio Domingues, destacou que a Defensoria Pública não busca impedir a ação estatal, mas sim estabelecer limites e balizas para a atuação policial, priorizando o uso proporcional e progressivo da força.
Em sua avaliação, o ministro ressaltou que a falta de transparência e de mecanismos eficazes de responsabilização na conduta policial dificulta o controle de sua atividade. A decisão do STJ busca, portanto, adequar os protocolos de atuação da PM em manifestações, assegurando que direitos fundamentais sejam respeitados e que a liberdade de reunião seja exercida de forma segura para todos.
Este julgamento reforça a importância do controle judicial sobre práticas que afetam os direitos humanos e a cidadania. A CNN Brasil entrou em contato com o Governo do Estado de São Paulo para obter posicionamento sobre os próximos passos e aguarda resposta.
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