DECISÃO CRUCIAL

STF julgará recursos sobre responsabilidade de big techs em 10 de junho

Sede do Supremo Tribunal Federal (STF)
Tribunal Federal (STF)

Supremo Tribunal Federal analisará pedidos contra ampliação da responsabilidade de plataformas digitais por conteúdos de usuários. Julgamento redefine limites da atuação das empresas na internet.

{"blocks":[{"key":"3v0l7","type":"paragraph","data":{"text":"O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, definiu para 10 de junho o julgamento de nove recursos que questionam uma decisão anterior da Corte. A decisão em questão ampliou a responsabilidade das plataformas digitais por conteúdos ilícitos publicados por seus usuários. Fachin também agendou para a mesma data o julgamento de uma ação movida pela Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), que busca validar a parte do Marco Civil da Internet (MCI) que exige ordem judicial para o acesso a dados de registro de conexão."}},{"key":"9s9u1","type":"paragraph","data":{"text":"Em junho de 2025, o Supremo Tribunal Federal declarou o artigo 19 do Marco Civil da Internet (MCI) como parcialmente inconstitucional. Anteriormente, este artigo impedia a responsabilização civil das plataformas por danos causados por conteúdos postados por usuários, a menos que houvesse descumprimento de uma ordem judicial específica para a remoção. A mudança legislativa, no entanto, manteve a necessidade de ordem judicial para casos de crimes contra a honra, como injúria, calúnia e difamação."}},{"key":"f7j6e","type":"paragraph","data":{"text":"Para outras infrações, passou a vigorar a lógica do artigo 21 do MCI. Isso significa que o conteúdo poderá ser removido após notificação ao usuário, sem a exigência de uma decisão judicial prévia. Este artigo já era aplicado como exceção ao artigo 19 em situações como violação de direitos autorais e divulgação de nudez não autorizada."}},{"key":"4d5n3","type":"paragraph","data":{"text":"Entre as empresas que apresentaram recursos estão Google e Facebook. As gigantes da tecnologia buscam esclarecimentos do STF sobre o marco temporal para a aplicação da decisão, visto que o acórdão inicial não especifica a data exata de início de seus efeitos, apenas que se aplicam ao futuro. O Facebook, em seu recurso, argumenta que "isso deixa em aberto questões fundamentais sobre sua aplicabilidade a situações pretéritas já discutidas em processos em curso"."}},{"key":"7m8p5","type":"paragraph","data":{"text":"O julgamento destes recursos foi liberado pelo relator, Dias Toffoli. A definição ocorreu em paralelo à edição de um decreto governamental que altera a regulamentação do Marco Civil da Internet (MCI), alinhando-o à decisão do Supremo. Contudo, a sentença ainda não transitou em julgado, o que significa que ainda cabem recursos. Essa situação gerou críticas de grandes empresas de tecnologia aos decretos, conforme noticiado pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O trânsito em julgado ocorre após o esgotamento de todas as possibilidades de recurso."}},{"key":"2q0r9","type":"paragraph","data":{"text":"A decisão do STF, ainda que não definitiva, impacta diretamente a forma como as plataformas lidam com o conteúdo publicado por seus usuários e a responsabilidade inerente a essa intermediação. A deliberação em 10 de junho trará maior clareza sobre os limites dessa responsabilidade e os direitos dos indivíduos afetados por conteúdos ilícitos na internet, garantindo maior proteção à dignidade e aos direitos fundamentais em ambientes digitais."}}]}

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