RIO EM CRISE
STF e PF miram ex-governador Cláudio Castro em esquema bilionário que abala o Rio
Operação Sem Refino bloqueia R$ 52 bilhões e aprofunda crise política, atingindo o bolsonarismo e a credibilidade das instituições fluminenses.
Uma decisão do Supremo Tribunal Federal, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, levou à deflagração da Operação Sem Refino pela Polícia Federal nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026. A ação mirou o ex-governador Cláudio Castro (PL) e o empresário Ricardo Magro, da refinaria Refit, sob suspeita de envolvimento em um esquema bilionário de sonegação fiscal, ocultação patrimonial e evasão de divisas no setor de combustíveis. Este avanço das investigações não só abala as estruturas políticas do Rio de Janeiro, já fragilizadas, mas também lança uma sombra sobre a credibilidade das instituições, com impacto direto na confiança dos cidadãos e na capacidade do Estado de garantir recursos essenciais para serviços públicos.
Leandro Gabiati, cientista político e diretor da Dominium Consultoria, avalia que o caso representa um desgaste político significativo para o bolsonarismo. A ocorrência no Rio de Janeiro, berço político da família Bolsonaro, amplifica o impacto.
Ele destaca o simbolismo de um governador do PL ser alcançado por uma investigação de corrupção. "Quando o bolsonarismo busca encarnar um discurso anticorrupção, anti-PT e anti-STF, por meio de figuras como Flávio Bolsonaro, os avanços da Polícia Federal podem minar essa narrativa de ética e moral que sempre o acompanhou", afirmou Gabiati em entrevista ao jornal WW, da CNN Brasil.
Para Gabiati, a família Bolsonaro precisará reavaliar sua estratégia política frente ao aprofundamento das investigações. "Será necessário renovar, rearticular ou definir como abordarão esses temas e como prestarão contas aos eleitores e à sociedade", complementa.
O cientista político também faz referência a uma reportagem recente da revista The Economist, que detalha os escândalos de corrupção e a crise de segurança no Rio de Janeiro. Segundo ele, "a matéria alerta o Brasil para a necessidade de observar o que ocorre no Rio, pois a situação pode se replicar em outras regiões do país".
O artigo, explica Gabiati, sinaliza uma "degradação institucional" e a crescente influência do crime organizado em diversas esferas do poder público fluminense, como o Judiciário, o governo estadual e as prefeituras.
"A reportagem aborda a infiltração do crime organizado e a falta de credibilidade das instituições no Rio de Janeiro, o que se configura como um alerta importante sobre a possível evolução desse cenário", ressalta o analista.
Sobre a situação de Cláudio Castro, Gabiati projeta um agravamento. "Embora o ex-governador tenha espaço para prestar esclarecimentos, tudo indica que sua situação tende a piorar, não a melhorar. Aguardaremos os próximos desdobramentos dessa sequência que, por ora, parece interminável", prevê.
Operação Sem Refino
Autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Operação Sem Refino resultou no bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros do grupo investigado, bem como na suspensão de suas atividades econômicas. A Polícia Federal cumpriu 17 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e no Distrito Federal.
As apurações se concentram em suspeitas de fraudes fiscais que somam bilhões no mercado de combustíveis, ocultação de bens e envio irregular de recursos para o exterior. A operação também desdobra investigações sobre incentivos fiscais concedidos pelo governo fluminense à refinaria em 2023.
A defesa de Cláudio Castro, em nota, afirmou ter sido "surpreendida" pela operação. O ex-governador declara estar "à disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos, convicto de sua lisura". A defesa ainda reforça que todos os atos de sua gestão obedeceram a critérios técnicos e legais. (A íntegra da nota pode ser consultada ao final desta matéria)
A Refit, por sua vez, negou quaisquer irregularidades e informou não ter sido beneficiada por programas especiais de parcelamento fiscal do governo estadual. A empresa também garante que "jamais falsificou declarações fiscais para obter vantagens tributárias" e que as discussões tributárias que a envolvem tramitam nas esferas judicial e administrativa. (A íntegra da nota pode ser consultada ao final desta matéria)
Nota de Cláudio Castro
A defesa do ex-governador do Rio, Claudio Castro, declara ter sido surpreendida pela operação e ainda não ter conhecimento do objeto do pedido de busca e apreensão. Contudo, Castro se coloca à disposição da Justiça para fornecer todas as explicações, convicto de sua lisura.
Todos os procedimentos adotados durante sua gestão, incluindo os relacionados à política de incentivos fiscais do Estado, seguiram os critérios técnicos e legais previstos na legislação vigente, pautando-se em normas próprias, análises técnicas e deliberações de órgãos competentes.
É relevante destacar que a gestão de Claudio Castro foi a única a assegurar que a Refinaria de Manguinhos efetuasse o pagamento de dívidas com o Estado, uma medida que, segundo a defesa, reforça a postura isenta e institucional do ex-governador. No total, a gestão garantiu o pagamento de parcelas que somam cerca de R$ 1 bilhão.
Atualmente, porém, o parcelamento está suspenso por força de uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, proferida em agravo de instrumento.
Ao longo da gestão, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) iniciou inúmeras ações contra a Refit, demonstrando que a Procuradoria sempre agiu para que a empresa saldasse suas dívidas com o Estado.
Nota da Refit
Em relação à Operação Sem Refino, deflagrada nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, a Refit esclarece não conhecer os investigados Alvaro Barcha Cardoso e Diego Gonçalves, apontados como supostos intermediários da companhia em diálogos com fiscais da Fazenda do Rio.
A Refit ressalta que não foi beneficiada pelo programa especial de parcelamento de créditos do governo do Estado do Rio de Janeiro, instituído em outubro do ano passado. A empresa não se qualifica para o Refis 2025, pois já mantém um parcelamento ativo com o governo desde 2023.
Outras questões tributárias envolvendo a Refit estão sendo debatidas nas esferas judicial e administrativa, prática comum entre diversas empresas do setor, incluindo a Petrobras, que hoje figura entre as maiores devedoras de tributos do Estado do Rio de Janeiro.
A Refit declara que "jamais falsificou declarações fiscais para obter vantagens tributárias". Laudos científicos da carga apreendida em operações recentes comprovam que o produto importado é óleo bruto de petróleo, conforme documentação de importação. A empresa estranha a Receita Federal impedir a perícia judicial que poderia corroborar os laudos profissionais já apresentados em juízo.
A companhia também destaca que o advogado Tiago Cedraz não presta serviços para a Refit.
Em relação à Tobras Distribuidora de Combustível, a Refit afirma não ter qualquer interferência na decisão do INEA de cancelar sua licença. A empresa sugere que a decisão "muito provavelmente, se relaciona com as irregularidades cometidas pelos acionistas da Tobras, que são os mesmos da Copape, empresa investigada por envolvimento com o PCC e fechada pela ANP".
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