VERBA PÚBLICA
STF apura emendas a filme de Bolsonaro
Ministro Flávio Dino investiga direcionamento de recursos a cinebiografia Dark Horse. Deputados do PL são citados.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, a abertura de uma apuração preliminar. A medida visa investigar possíveis direcionamentos de emendas parlamentares destinadas a projetos culturais, entre eles a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o filme Dark Horse. Esta decisão levanta sérias questões sobre a transparência no uso de dinheiro público e a integridade do processo legislativo, afetando diretamente a confiança da sociedade na gestão dos recursos e na conduta de seus representantes.
Entre os parlamentares citados na apuração estão os ex-deputados federais Alexandre Ramagem e Carla Zambelli, e os deputados federais Marcon Pollon, Bia Kicis e Mario Frias, todos membros do Partido Liberal (PL).
Bia Kicis
A deputada federal Bia Kicis, pré-candidata ao Senado do Distrito Federal e figura próxima a Jair Bolsonaro, negou o direcionamento de emendas para o filme. Eleita pela primeira vez em 2018 pelo PRP e filiada ao Partido Liberal em março de 2022, ela preside o PL Mulher DF ao lado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Em nota ao Metrópoles, Kicis afirmou que a emenda de R$ 150.000,00, parte de um investimento total de R$ 1.650.000,00, foi destinada à produção de episódios como “Portugal: Luz para o Brasil”, “José de Anchieta, o Apóstolo do Brasil” e “Dom Pedro I: o Libertador”. A parlamentar enfatizou que o valor ainda não foi pago, reforçando que a destinação visava valorizar a história nacional e a economia criativa, sem execução financeira vinculada até o momento.
Alexandre Ramagem
Alexandre Ramagem, ex-delegado da Polícia Federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo de Jair Bolsonaro, teve seu mandato de deputado federal cassado. Eleito em 2022, Ramagem havia sido nomeado para a diretoria da Polícia Federal em 2020, mas sua posse foi barrada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), devido à sua relação próxima com a família presidencial.
O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Ramagem por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, com uma sentença de 16 anos, 1 mês e 15 dias em regime fechado, além da perda do mandato. A menção de seu nome na investigação de emendas reforça a fiscalização sobre o direcionamento de verbas públicas.
Carla Zambelli
A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), de 45 anos, também está entre os citados. Ela encontra-se presa na Itália desde julho de 2025, após ser condenada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) em maio de 2025 a dez anos e oito meses de prisão. A condenação decorreu de sua participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023 e na inserção de documentos falsos.
Zambelli, que deixou o Brasil em 25 de maio de 2025, um dia após a condenação, era uma das mais fiéis apoiadoras do ex-presidente Jair Bolsonaro. Eleita em 2018 pelo Partido Social Liberal (PSL) e reeleita em 2022 pelo Partido Liberal (PL), como a segunda deputada mais votada de São Paulo, ela aguarda a audiência da Corte de Cassação de Roma, última instância da Justiça italiana, marcada para 22 de maio de 2026, que julgará seu recurso contra a extradição.
Mario Frias
O deputado Mario Frias, ex-ator e ex-secretário especial da Cultura no Governo Bolsonaro, atua como produtor-executivo do filme Dark Horse. Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), oficiais de Justiça tentam, desde abril de 2026, intimar Frias para que preste esclarecimentos sobre supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares a empresas ligadas à produtora do filme, porém sem êxito.
Frias, eleito deputado federal em 2022, ganhou destaque político na esteira do bolsonarismo. Nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, o parlamentar declarou nas redes sociais que a produção não utilizou recursos do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. "Trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco", defendeu Frias.
Marcon Pollon
Marcon Pollon, deputado federal e amigo próximo da família Bolsonaro, recebeu parecer positivo para a suspensão de seu mandato por dois meses. A penalidade decorre de sua participação em um motim bolsonarista que obstruiu os trabalhos da Mesa Diretora em agosto de 2025.
O relatório do deputado federal Moses Rodrigues (União Brasil-CE) justificou a medida como essencial para reafirmar que o Parlamento não tolera condutas que interrompam o processo legislativo. O portal Metrópoles buscou contato com as defesas de Ramagem, Zambelli, Frias e Pollon, e aguarda retorno para atualizar a reportagem.
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