CRISES NO LEGISLATIVO
STF aponta que servidora descumpriu afastamento e organizou emendas parlamentares
Mariângela Fialek, suspeita de integrar esquema de desvio de R$ 119,2 milhões, teria mantido atuação em emendas mesmo após determinação de Flávio Dino.
O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), identificou que a servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, teria desrespeitado ordem judicial de afastamento ao atuar na organização de verbas parlamentares, conforme decisão proferida em 11/07/2026. A medida de controle visa salvaguardar a transparência no manejo de recursos públicos e apurar o suposto desvio de ao menos 21 emendas vinculadas a Valdemar Costa Neto.
Em dezembro de 2023, a Polícia Federal (PF) deflagrou operação que apontou o possível envolvimento de Tuca no direcionamento de cerca de R$ 119,2 milhões. Na ocasião, o ministro Flávio Dino determinou que a servidora fosse impedida de exercer qualquer função ligada a emendas parlamentares. Contudo, dados da investigação indicam que a colaboradora continuou a organizar tais fluxos até março de 2026.
A investigação aponta que Tuca, junto com os servidores Garigham Amarante e Nara Brum, teria viabilizado um esquema no qual nomes de deputados eram utilizados para mascarar a autoria de solicitações, que seriam controladas na verdade pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Mensagens extraídas de dispositivos apreendidos reforçam as suspeitas de fraude na alocação dos valores.
A permanência de Tuca em funções estratégicas dentro da Diretoria Administrativa da Câmara, na área de Infraestrutura e Patrimônio, foi questionada pelo deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) em 25 de junho de 2026. O parlamentar enviou denúncia ao STF após relatos de que a servidora seguia atendendo assessores para tratar da operacionalização de emendas de comissão.
Em nota, a defesa de Mariângela Fialek afirmou que sua atuação sempre foi estritamente técnica e apartidária, negando qualquer irregularidade funcional ou criminal. A defesa de Valdemar Costa Neto também se manifestou, classificando as acusações como frágeis e reforçando a legalidade de sua articulação política.
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