BC DEVE PAUSAR CORTES
Solange Srour sugere pausa no corte de juros do BC diante de riscos fiscais e inflacionários
Colunista do CNN Money alerta para inflação, estímulos fiscais e resiliência econômica que demandam atenção da autoridade monetária, com reunião do Copom prevista para 16 e 17 de junho.
A possibilidade de o Banco Central (BC) brasileiro encerrar seu ciclo de cortes na taxa básica de juros ganhou força. A principal incerteza nos mercados financeiros reside em quanto tempo os juros precisarão permanecer em patamares restritivos para garantir que a inflação retorne à meta estabelecida. Nesta sexta-feira, 07/06/2026, a discussão sobre os rumos da política monetária ganha contornos mais definidos.
Solange Srour, colunista do CNN Money e diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management, defende que a autoridade monetária deveria pausar a redução dos juros. Segundo a especialista, os indicadores econômicos atuais não oferecem margem de manobra segura para a continuidade dos cortes. As expectativas de inflação continuam em ascensão, especialmente nos prazos mais longos; a economia demonstra resiliência; a política fiscal apresenta novos estímulos; e os preços das commodities se mantêm em níveis elevados.
Apesar de o cenário sugerir uma interrupção, Srour observa que a comunicação oficial do BC ainda não sinaliza essa possibilidade. "É difícil dizer o motivo para continuar cortando, na verdade", comentou Srour, ressaltando que os próprios mercados já antecipam um tom mais cauteloso do BC na próxima reunião do Copom, que ocorrerá entre os dias 16 e 17 de junho, abrindo espaço para uma eventual pausa.
A analista enfatiza que a deterioração do quadro econômico tem origem predominantemente em fatores domésticos. Ela aponta que a inflação de serviços, atrelada ao mercado de trabalho, está rodando em torno de 7% anuais, sem ligação direta com choques externos. Adicionalmente, os núcleos de inflação permanecem acima do teto da meta, mesmo desconsiderando o impacto das commodities.
"A gente tem uma demanda no Brasil bastante estimulada por políticas fiscais e creditícias, e a taxa de juros não está dando conta", explicou Srour. Ela acrescentou que a taxa de juros neutra subiu, e a Selic pode não estar tão restritiva quanto o Banco Central tem avaliado.
Entre os riscos adicionais, Srour menciona a potencial mudança na escala de trabalho, com o fim da escala 6x1, que pode pressionar salários para cima. Outro ponto levantado foi a perspectiva de um novo programa semelhante ao Move Brasil, com previsão de R$ 30 bilhões para aquisição de veículos por motoristas de aplicativo e entregadores. Um relatório de sua equipe detalha medidas fiscais, de crédito e de renda já anunciadas que somam R$ 189 bilhões em estímulos à demanda, reforçando o caráter expansionista das políticas atuais.
Srour avalia que os únicos vetores de queda para a inflação poderiam surgir do cenário externo, como uma valorização cambial em relação ao dólar ou uma desaceleração da economia global decorrente da alta de juros internacionais. Contudo, ela reitera que os riscos de alta da inflação são majoritariamente domésticos, e o viés inflacionário tende a se acentuar nos próximos meses. A incerteza sobre a intensidade do fenômeno El Niño no final do ano também contribui para esse quadro.
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