INFLAÇÃO NO BRASIL
Solange Srour alerta: inflação atual reflete mais economia interna que guerra; BC corre risco
Colunista do CNN Money aponta que resiliência da economia, política fiscal e expectativas de dívida pública impactam preços. BC é alertado sobre sinalização de juros.
A recente alta de 0,62% no IPCA-15 de maio acendeu o debate sobre os rumos da política monetária no Brasil. Para Solange Srour, colunista do CNN Money, a pressão sobre os preços no país neste momento tem uma ligação tênue com os efeitos da guerra na Ucrânia e um peso muito maior na força intrínseca da economia brasileira. A análise, apresentada nesta quinta-feira, 28/05/2026, sugere que a inflação de serviços e as expectativas de longo prazo são os principais focos de preocupação.
Srour detalhou que, apesar de um choque de oferta importante com a alta de commodities, seus impactos plenos ainda não se manifestaram totalmente no Brasil. "A gente tem uma política de subsídios para a gasolina, para o diesel, a questão toda de fertilizantes ainda não impactou alimentos no Brasil", explicou. Ela comparou a situação com os Estados Unidos, onde a gasolina já teve alta superior a 50%, um cenário ainda não replicado em igual proporção no território nacional.
Núcleos de inflação e política fiscal em destaque
A colunista ressaltou que os núcleos de inflação exibem níveis preocupantes, com destaque especial para a inflação de serviços. "Em todas as métricas que você olha, qualquer abertura, é uma inflação extremamente alta, porque você tem, de fato, uma economia aquecida", afirmou Srour. Ela destacou que a discrepância entre as previsões econômicas iniciais e as projeções atuais se deve menos à guerra e mais à persistência inflacionária, alimentada por uma política fiscal expansionista que a política monetária pode não conseguir neutralizar adequadamente.
Srour também lançou um alerta sobre o impacto das expectativas de inflação de longo prazo. Segundo ela, estas não são apenas um reflexo da demanda aquecida, mas também da percepção de que a dívida pública pode seguir uma trajetória insustentável. "A inflação longa está impactada pela expectativa de que talvez a gente vai precisar inflacionar essa economia de verdade para conseguir escapar de uma dívida que sobe muito", disse.
O risco da sinalização do Banco Central
Um ponto crucial na análise de Srour foi o risco de o BC (Banco Central) não demonstrar um compromisso firme com o centro da meta de inflação, atualmente fixada em 3%. Ela observou que a própria projeção do BC "não é perto de 3%". Se a instituição continuar a sinalizar conforto com cortes adicionais de juros nesse cenário, o mercado pode interpretar que a meta efetiva mudou ou que o horizonte para alcançá-la foi ampliado. "Isso vai pressionar mais ainda a expectativa de inflação", advertiu.
Para a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), Srour avaliou que a decisão tenderá a ser um corte de 0,25 ponto percentual. No entanto, ela enfatizou que a comunicação do Banco Central será mais decisiva do que a própria medida. Mesmo com um eventual fim do conflito e a queda nos preços de commodities, ela concluiu que "não tem muito espaço para o Banco Central ir além dos próximos 25", considerando o nível de estímulo fiscal, o desemprego em mínimas históricas e o crescimento da renda no país.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário