ALERTA CLIMÁTICO

Sociedade brasileira despreparada para crise climática, aponta estudo

Enchente na beira do Guaíba em Porto Alegre.
Enchente em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em maio de 2024.

Investimentos em prevenção são dez vezes menores que verbas emergenciais. País perde R$ 110 bilhões do PIB anualmente com desastres.

[ { "type": "paragraph", "props": {"className": "lead"}, "children": [ { "type": "text", "value": "O ano de 2026 se apresenta como um marco crítico para o Brasil adotar uma agenda climática com mais ações e menos promessas, diante da perspectiva de um super El Niño. Contudo, dados de pesquisas recentes e estudos econômicos revelam que a sociedade brasileira ainda não está totalmente preparada para engajar-se plenamente nesse processo, apesar de os impactos serem sentidos no dia a dia." } ] }, { "type": "paragraph", "children": [ { "type": "text", "value": "Apenas seis em cada dez brasileiros reconhecem a ligação entre mudanças climáticas e a ação humana. Paralelamente, nove em cada dez pessoas afirmam ter vivenciado efeitos como chuvas intensas, ondas de calor, ou aumento no custo de alimentos e energia em suas regiões. Essa discrepância aponta para um expressivo índice de desinformação climática no país, enquanto a sociedade arca com os custos inerentes a essas transformações." } ] }, { "type": "paragraph", "children": [ { "type": "text", "value": "Estudos econômicos divulgados pelo Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (CICEF) em 2026 estimam que o Brasil já acumula perdas anuais superiores a R$ 110 bilhões do PIB, em decorrência de desastres climáticos. Esses recursos poderiam ser redirecionados para investimentos essenciais em saúde, educação e transporte." } ] }, { "type": "paragraph", "children": [ { "type": "text", "value": "Em 2024, as verbas emergenciais destinadas a responder a desastres, como a inundação na bacia do Rio Guaíba, no Rio Grande do Sul, foram quase dez vezes superiores aos investimentos em prevenção e preparação. Essa constatação evidencia uma atuação mais focada na recuperação pós-evento do que na antecipação e mitigação de riscos." } ] }, { "type": "image", "props": { "src": "https://s04.video.glbimg.com/x240/14649691.jpg", "alt": "Enchente em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em maio de 2024.", "caption": "Beira do Guaíba mostra enchente em Porto Alegre no dia 8 de maio de 2024 — Foto: Nelson Almeida/AFP" } }, { "type": "paragraph", "children": [ { "type": "text", "value": "O gasto climático do Governo Federal, apesar de ter crescido nos últimos dois anos, representou apenas 1% do orçamento total. A revisão das prioridades de gestão e a alocação orçamentária tornam-se determinantes para que a União, os estados e os municípios possam se preparar adequadamente para mitigar impactos, adaptar-se às novas realidades e promover desenvolvimento sustentável com os recursos disponíveis." } ] }, { "type": "heading", "depth": 2, "children": [ { "type": "text", "value": "Falta de consenso e ação" } ] }, { "type": "paragraph", "children": [ { "type": "text", "value": "Em um cenário eleitoral, onde a compreensão sobre as mudanças climáticas e as responsabilidades individuais ainda não é unânime, a disseminação de informações claras torna-se crucial. Enchentes recorrentes, ondas de calor intensificadas por fenômenos como o El Niño e secas severas deixaram de ser eventos isolados para se integrar à rotina da população." } ] }, { "type": "paragraph", "children": [ { "type": "text", "value": "Estudos indicam uma crença significativa (34%) de que os governos poderiam intensificar seus esforços no combate às mudanças climáticas. Embora a governança climática tenha avançado, seu ritmo ainda é inferior à crescente frequência e intensidade dos eventos extremos, conforme aponta o último Anuário Estadual de Mudanças Climáticas. O desafio é coletivo, envolvendo não apenas governos, mas também cidadãos." } ] }, { "type": "paragraph", "children": [ { "type": "text", "value": "Paradoxalmente, enquanto três em cada quatro entrevistados expressam preocupação com as mudanças climáticas, 43% não alteraram hábitos nos últimos doze meses, como a redução do consumo de água e luz ou a separação do lixo. Apenas 35% dos respondentes consideraram propostas ambientais na escolha de candidatos, mesmo com 89% reconhecendo as mudanças climáticas como uma ameaça real." } ] }, { "type": "paragraph", "children": [ { "type": "text", "value": "É fundamental explicitar a correlação entre os impactos das mudanças climáticas e a vida cotidiana dos cidadãos, além de reforçar que a responsabilidade não recai apenas sobre governos, academia ou setor privado. A população tem um papel ativo ao eleger lideranças comprometidas com planos e projetos que integrem a perspectiva climática à realidade local. A mudança genuína e a mitigação de impactos para as presentes e futuras gerações dependem da ação individual e da priorização do tema "clima" nas decisões políticas." }, { "type": "text", "value": "\n*Sarah Irffi trabalha para o Instituto Clima e Sociedade." } ] } ]

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