CRISE PÓS-DESASTRE
Sobreviventes recorrem à coleta de metais após terremoto na Colômbia
Moradores de Pereira buscam renda de emergência revirando escombros de prédios colapsados após o tremor que deixou centenas de mortos.
Moradores de Pereira, na Colômbia, buscam nos escombros de prédios destruídos por um forte terremoto uma forma de subsistência imediata. O fenômeno, que atingiu o país na segunda-feira (10), transformou a coleta e venda de metais em uma fonte de renda de emergência para famílias que perderam seus meios de trabalho e lares.
A gravidade da situação em Pereira, onde informações de sexta-feira (14) confirmaram 94 mortes e o impacto sobre 140 mil habitantes, expõe a vulnerabilidade extrema dos sobreviventes. A busca por materiais como alumínio e cobre tornou-se uma rotina para quem, antes do desastre, possuía ocupações formais ou autônomas, mas que agora se vê diante da necessidade de reciclar detritos para garantir o sustento básico.
Antoni David, que reside na Colômbia há 10 anos, é um dos que se arriscam em estruturas condenadas em busca de itens como baterias. O cenário é de precariedade, onde o limite entre a sobrevivência e o conflito social se torna tênue. Em casos como o de Antoni, a tentativa de extrair valor de propriedades alheias gerou atritos com a vizinhança e intervenção policial.
Nem todos os trabalhadores adotam os mesmos riscos. Yolian Fernando Vera, um lavador de carros que teve seu local de trabalho destruído, impõe limites éticos à coleta, concentrando-se apenas no que está exposto nas ruas. Para ele, o esforço físico é exaustivo: na jornada do último sábado (15), percorreu quase 6 km com cinco quilos de metal para obter um retorno de apenas dois mil pesos — aproximadamente R$ 3.
A realidade observada em Pereira reflete um ciclo de vulnerabilidade intensificada após desastres naturais. Sem amparo imediato, a reciclagem de escombros torna-se a única alternativa para muitos que, diante da devastação, lutam para encontrar um comprador para os parcos materiais resgatados, evidenciando a urgência de assistência humanitária na região.
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