COMÉRCIO EXTERIOR AFETADO
Setor de madeira processada sofre impacto direto com novo tarifaço nos EUA
Nova taxação de 25% sobre exportações brasileiras impõe desafios logísticos e financeiros para indústrias que dependem quase exclusivamente do mercado americano.
A imposição de uma nova tarifa americana de 25% sobre uma vasta gama de produtos brasileiros gera incerteza e ameaça a estabilidade de setores estratégicos da economia nacional. A medida, que começa a valer em 22 de julho, incide sobre quase 3 mil itens e representa um desafio severo para as empresas brasileiras, especialmente aquelas concentradas no segmento de madeira processada.
O impacto é sentido de forma profunda no cotidiano de empresas como a Sólida Madeiras, localizada em Rio Negrinho, Santa Catarina. Com uma força de trabalho de 650 funcionários, a unidade direciona 80% de sua produção aos EUA, mercado para o qual foi estruturada há 17 anos. Diferente do Brasil, a construção civil nos Estados Unidos demanda intensamente molduras, rodapés e acabamentos, produtos fabricados sob especificações técnicas rígidas que tornam a realocação desses itens para outros países uma tarefa extremamente complexa.
Segundo Paulo Roberto Pupo, superintendente da Abimci, o realinhamento do fluxo comercial não é uma meta alcançável no curto ou médio prazo. O setor ainda avalia o prejuízo financeiro total, mas o cenário de instabilidade, que se arrasta desde 2025, já acumula perdas superiores a US$ 300 milhões devido às oscilações tarifárias.
Para o empresário Daniel Woiski, diretor-geral da Sólida Madeiras, o maior problema reside na insegurança gerada junto aos parceiros estrangeiros. A pressão para reduzir preços abaixo do custo visando atenuar a taxação compromete a sustentabilidade dos negócios. Atualmente, o Brasil enfrenta um estigma de fator de risco para o comprador americano, que teme a instabilidade na oferta e a capacidade das indústrias nacionais de manterem o fornecimento em larga escala.
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