ALERTA SETORIAL
Setor de energia renovável cobra presidenciáveis por metas de transição energética
Mais de 20 entidades e empresas do setor de energia renovável apresentaram uma carta aos pré-candidatos à Presidência da República com demandas por compromissos concretos para a transição energética.
Nesta quarta-feira, 27/05/2026, mais de 20 entidades e empresas do setor de energia renovável apresentaram uma carta aos pré-candidatos à Presidência da República. O documento exige compromissos concretos e metas claras para a redução progressiva da dependência de combustíveis fósseis no Brasil. A iniciativa busca alertar os futuros governantes sobre a perda de vantagens comparativas estratégicas do país no cenário internacional, especialmente em áreas promissoras como hidrogênio verde, energia eólica offshore e eletrificação industrial.
A principal contradição apontada pelo setor reside no direcionamento de recursos governamentais. Enquanto o Brasil encerrou 2025 com mais de 90% de sua geração de energia elétrica proveniente de fontes renováveis, os subsídios federais para combustíveis fósseis em 2024 alcançaram R$ 47 bilhões. Esse valor é 2,5 vezes maior do que os R$ 18,65 bilhões destinados às fontes limpas. Essa disparidade de investimentos prejudica o desenvolvimento pleno de um setor que já demonstra forte impacto socioeconômico positivo.
Em 2025, a economia verde brasileira foi responsável pela geração de cerca de um milhão de empregos e atraiu aproximadamente US$ 38 bilhões em investimentos, segundo informações do documento. O país também apresenta grande potencial para o desenvolvimento de data centers, infraestrutura crucial para a inteligência artificial e que aumentará significativamente a demanda por energia. O interesse e os investimentos existem, mas a falta de regulamentação favorável e de clareza nas políticas públicas representa um gargalo para a concretização de projetos.
Para não perder espaço para potências como China, Estados Unidos e União Europeia, que aceleram seus investimentos na área, as organizações ressaltam a necessidade de integrar as políticas nacionais para liderar a produção de fertilizantes verdes, hidrogênio de baixo carbono e outros produtos de menor emissão. A consolidação dessas cadeias industriais de transição energética esbarra em entraves urgentes.
Entre os principais gargalos citados estão restrições na expansão das linhas de transmissão, incertezas regulatórias, ausência de regras claras para o armazenamento de energia e dificuldades na integração das políticas energética, industrial e de comércio exterior. A contratação compulsória de recursos não previstos no planejamento também é apontada como um obstáculo.
Para viabilizar um cenário energético mais justo e sustentável, o documento endereçado aos pré-candidatos propõe medidas como: não criar nem estender subsídios aos combustíveis fósseis; garantir a sustentabilidade econômico-financeira do setor elétrico; modernizar as tarifas cobradas dos usuários do sistema; e promover políticas de incentivo à eletrificação. A iniciativa conta com o apoio de entidades renomadas como a Global Renewables Alliance (GRA), a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) e a Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV).
A carta será formalmente entregue aos candidatos após a confirmação oficial de suas candidaturas pelos partidos políticos. Atualmente, nenhum pré-candidato ao Planalto apresentou um plano de governo detalhado, com previsões de que tais propostas só sejam divulgadas ao final de julho ou em agosto, após as convenções partidárias.
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