GEOLOGIA DE PONTA

Pesquisadores da UFRR e USP identificam jazida de terras raras em Caracaraí

Trincheira de pesquisa geológica em área de terras raras em Caracaraí, Roraima.
Trincheira aberta durante pesquisa científica no Complexo Barreira, em Caracaraí.

Estudo em 120 mil hectares no Sul de Roraima detecta 16 dos 17 elementos essenciais para a tecnologia global com concentrações acima do esperado.

Uma área de mais de 120 mil hectares, repleta de rochas e argilas brilhantes entre duas serras em Caracaraí, tornou-se o centro de um estudo estratégico conduzido pela Universidade Federal de Roraima (UFRR). A iniciativa busca mapear o potencial econômico e científico de terras raras na região, elementos químicos fundamentais para a fabricação de baterias, turbinas eólicas e sistemas de alta tecnologia. A pesquisa, que conta com a colaboração da Universidade de São Paulo (USP), identificou 16 dos 17 elementos classificados como terras raras nas amostras coletadas no Complexo Barreira. As concentrações registradas superam os níveis esperados, posicionando o achado como um caso de anomalia geológica relevante para o cenário nacional. "Estamos nos direcionando na pesquisa para ver quanto de teor tem de terras raras. É um trabalho que está no início ainda", explica Vladimir de Souza, doutor em bioestratigrafia da UFRR. O projeto encontra-se atualmente na fase de análise química, com o uso de nanotecnologia desenvolvida pela USP para separar os elementos. O potencial da região, que já acumula mais de 50 trincheiras abertas com detecções em profundidades de até 15 metros, deve-se a uma complexa formação geológica de até 2 bilhões de anos. A localização estratégica entre as serras do Baraúna e do Anauá facilitou, segundo os pesquisadores, a concentração desses minerais ao longo de eras de atividades tectônicas e intemperismo. O agrônomo José Frutuoso do Vale Júnior, especialista em Solos e Nutrição de Plantas da UFRR, destaca que a presença de argilas iônicas de alta capacidade de troca de cátions no local atua como um retentor natural dos elementos. "Não é comum ter, em quase cinco metros de profundidade, mais de 30% de argila. Isso está intimamente ligado à geologia e ao relevo", afirma. O terreno, que pertence ao empresário Lusérgio Barreira desde 2019, tornou-se objeto de estudo científico após análises iniciais motivadas por uma descoberta curiosa durante uma construção residencial. Atualmente, a equipe prepara a próxima etapa do trabalho: a sondagem profunda do solo, que visa determinar a continuidade e a viabilidade econômica dessa reserva mineral para o Brasil.

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