IMPACTO GLOBAL

Setor aéreo sem 'Plano B' contra querosene caro, diz analista

Aviões parados em aeroporto com o pôr do sol, representando a paralisação e cortes de voos de companhias aéreas como Latam e Lufthansa.
Aeronaves em pátio de aeroporto, simbolizando a redução de voos e o impacto da crise do querosene.

Companhias como Latam e Lufthansa reduzem voos, com cortes de 3% e 20% respectivamente, diante do aumento expressivo nos custos do combustível. A demanda por passagens ainda se mantém, mas a perspectiva de mais reduções paira sobre o setor nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026.

Companhias aéreas de todo o mundo, incluindo a Latam Brasil, enfrentam um cenário crítico e decidiram reduzir voos a partir de junho. A Latam, por exemplo, cortará entre 2% e 3% de suas operações previstas para o próximo mês, uma medida inevitável diante do aumento expressivo nos custos do querosene de aviação. Esta decisão, impulsionada pela prolongada guerra no Oriente Médio, afeta diretamente a malha aérea e, potencialmente, o planejamento de milhões de passageiros, que podem ver menos opções ou preços mais altos. A adaptação visa conter o severo impacto financeiro do encarecimento do combustível.

Para a analista de Economia Lucinda Pinto, o setor aéreo encontra-se encurralado, sem alternativas viáveis para lidar com esta escalada de custos. "Uma máxima antiga na aviação sentencia que a última gota de petróleo será queimada por uma turbina de avião", afirmou Lucinda durante sua participação no CNN Prime Time nesta quarta-feira, 06 de maio de 2026. "Essa frase ilustra perfeitamente a situação: não existe um plano B eficaz para as companhias aéreas."

Lucinda Pinto reiterou que o combustível é um componente massivo nos custos operacionais, representando entre 40% e 45% do total das despesas das empresas aéreas. No caso da Latam, o custo do querosene, especificamente, disparou, praticamente dobrando nos últimos três meses e pressionando intensamente as margens de lucro.

Para evitar um repasse total desses custos aos consumidores, as companhias precisam tomar decisões difíceis. "Neste cenário, a empresa é obrigada a cortar voos em trechos menos rentáveis ou com menor demanda dos clientes. É exatamente isso que estamos presenciando", esclareceu a analista.

Enquanto a Latam já implementa uma redução de aproximadamente 3% em suas rotas, outras grandes empresas aéreas globais adotam estratégias mais severas. A Lufthansa, por exemplo, cortou 20% de seus voos, e gigantes americanas como a Delta também anunciaram ajustes semelhantes em suas operações.

O alerta de Lucinda Pinto é claro: se os preços do combustível não apresentarem recuo, a situação pode piorar. "As empresas já sinalizam a possibilidade de se tornarem ainda mais incisivas no encolhimento de suas operações", previu Lucinda, indicando que os cortes atuais podem ser apenas o começo.

Apesar do cenário de instabilidade, há um ponto positivo: a demanda por passagens aéreas surpreendentemente se mantém estável, sem queda significativa. A esperança reside em um eventual acordo para o conflito no Oriente Médio, que poderia aliviar a pressão sobre os preços do combustível e, por consequência, suspender ou até mesmo reverter as dolorosas decisões de corte de voos, especialmente aqueles previstos para junho.

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