ECONOMIA GANHA FIAÇÃO
Serviços e comércio sustentam empregos formais no RN em maio, contrabalançando perdas na agropecuária e construção
Setores como Saúde, supermercados e educação lideraram contratações, enquanto agropecuária e construção civil registraram demissões. Empregador afirma que setor terciário é a maior sustentação do mercado de trabalho potiguar.
Setores ligados ao consumo das famílias e aos serviços essenciais foram cruciais para a manutenção dos empregos formais no Rio Grande do Norte em maio. Essas atividades sustentaram a geração de vagas e evitaram que o mercado de trabalho do estado voltasse a apresentar um saldo negativo. Uma análise do Instituto Fecomércio RN (IFC), baseada em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego na terça-feira, 30 de junho de 2026, aponta que os segmentos de Saúde, supermercados, educação, logística, farmácias e o comércio de veículos foram os que mais contrataram no estado. Esses resultados compensaram parcialmente as demissões ocorridas na agropecuária e na construção civil.
Ao final de maio de 2026, o Rio Grande do Norte registrou um saldo positivo de 109 vagas com carteira assinada. Esse resultado reverteu o quadro de abril, quando o estado teve um déficit de 311 postos de trabalho. No entanto, o desempenho de maio ficou significativamente abaixo do observado no mesmo período do ano anterior, 2025, quando o Rio Grande do Norte havia criado 2.159 empregos formais.
A pesquisa da Fecomércio RN destaca a contribuição fundamental do Comércio e dos Serviços para o resultado geral. Juntos, esses dois setores criaram 556 novas vagas, um número que representa mais de cinco vezes o saldo líquido total do estado no mês. Essa performance evidencia que as atividades voltadas ao dia a dia da população mantiveram sua capacidade de contratação, mesmo em um cenário de desaceleração econômica em outros segmentos.
O setor de Saúde destacou-se como o principal motor de empregos, com a abertura de 275 postos formais em maio. Outros segmentos com saldo positivo incluem supermercados, que geraram 123 novas vagas; o comércio de veículos e peças, com 98 novas contratações; educação, com 61 vagas; atividades de armazenamento e logística, com 51; e farmácias, com 45. Marcelo Queiroz, presidente do Sistema Fecomércio RN, ressalta que esses números reforçam o papel do setor terciário como a principal força que sustenta o mercado de trabalho no estado.
O setor terciário voltou a exercer um papel decisivo para a economia potiguar, demonstrando capacidade de sustentar a atividade e a geração de empregos mesmo em um cenário de desaceleração em outras áreas.
Enquanto o comércio e os serviços impulsionaram as contratações, a agropecuária e a construção civil exerceram pressão negativa sobre o resultado do estado. A agropecuária registrou o fechamento de 244 postos de trabalho em maio, e a construção civil apresentou um saldo negativo de 229 vagas.
As maiores perdas na agropecuária concentraram-se no cultivo de melão, que eliminou 291 empregos, seguidas pelas obras de infraestrutura (-104 vagas) e pela construção de edifícios (-63 vagas). Segundo a Fecomércio RN, o desempenho desses setores está ligado a fatores sazonais e às flutuações da atividade agroindustrial.
O impacto dessas demissões também afetou a posição do Rio Grande do Norte no cenário regional. Em maio, o estado registrou o segundo menor saldo de empregos formais no Nordeste, superando apenas Alagoas, que também sentiu os efeitos da retração na agroindústria.
A disparidade entre os setores também se reflete no acumulado dos primeiros cinco meses do ano. De janeiro a maio, o Comércio e os Serviços, em conjunto, foram responsáveis pela criação de 5.390 empregos formais, contribuindo para o saldo positivo geral de 215 vagas do estado no período.
Na lista das atividades que mais contrataram no acumulado do ano estão Saúde, com 909 novos postos de trabalho; Educação, com 831; comércio atacadista, com 362; comércio de veículos e peças, com 290; e farmácias, com 133. A construção civil também apresentou um saldo positivo no período, com a abertura de 1.560 vagas, apesar do resultado negativo registrado em maio.
Em contrapartida, a agropecuária acumulou o fechamento de 5.580 postos de trabalho entre janeiro e maio, e a indústria eliminou 1.149 vagas. De acordo com a análise da Fecomércio RN, as perdas nesses segmentos impediram um crescimento mais expressivo do mercado formal de trabalho potiguar nos primeiros cinco meses de 2026, mesmo com o desempenho consistente das atividades ligadas ao consumo e à prestação de serviços.
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