GOVERNO FRUSTRA PLANOS

Senado rejeita proposta do governo e adia novamente dívidas rurais

Imagem da fachada do Senado Federal.
Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal analisa projetos de lei.

Comissão de Assuntos Econômicos do Senado adia análise de projeto que renegociaria débitos rurais; parlamentares apontam insuficiência da proposta governamental.

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado adiou, nesta quarta-feira, 27/05/2026, a análise do projeto de lei (PL) 5122/23, que visa renegociar dívidas rurais. A decisão de adiar a votação ocorreu após parlamentares rejeitarem a proposta apresentada pelo Executivo, que foi formulada como medida provisória após uma reunião prévia com o governo. As condições oferecidas pelo governo não foram aceitas pelos congressistas, que consideraram o texto insuficiente para solucionar o problema. Na manhã desta quarta-feira, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) reuniu-se com parlamentares envolvidos nas discussões. Ficou acordado que o texto proposto pela Fazenda não será incluído no relatório do senador Renan Calheiros (MDB-AL). A estratégia agora é priorizar a votação do texto original no Senado, com a intenção de ampliar e aprimorar a proposta na Câmara dos Deputados. Parlamentares expressaram preocupação com o impacto real da proposta governamental, argumentando que ela não abrange a magnitude das dívidas acumuladas pelo setor. Estima-se a necessidade de R$ 170 bilhões para iniciar a solução do problema, valor que, segundo os congressistas, o plano do governo não contempla. A proposta governamental estabelece uma linha de crédito rural destinada à renegociação de dívidas de custeio, comercialização, industrialização e investimento, contraídas até 31 de dezembro de 2025. O acesso seria permitido a produtores do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e a outros produtores rurais que registraram perdas em, no mínimo, duas safras entre 2019 e 2025. Os limites de renegociação previstos são de até R$ 400 mil para produtores do Pronaf, R$ 2 milhões para os enquadrados no Pronamp e R$ 4 milhões para os demais. As taxas de juros anuais variariam entre 6% e 12%, com um prazo de pagamento de até dez anos e dois anos de carência para o principal. A adesão exigiria uma entrada mínima de 5% a 10% do saldo devedor e estaria restrita a produtores com comprovação de perdas climáticas ou redução de renda.

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