VETO NO SENADO

Senado rejeita Jorge Messias para o STF: apoio de Mendonça foi decisivo

Senado rejeita Jorge Messias para o STF: apoio de Mendonça foi decisivo

Indicado pelo governo Lula obteve apenas 34 votos favoráveis, 7 a menos que o necessário. Decisão expõe divisões na Corte.

O Senado Federal rejeitou nesta quinta-feira, 29 de abril de 2026, a indicação de Jorge Messias para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão, que chocou o Palácio do Planalto e o próprio indicado, teve como pivô o apoio explícito do ministro André Mendonça ao advogado-geral da União. Essa proximidade foi interpretada nos bastidores como um sinal de alinhamento político que gerou forte resistência em uma ala da Corte. Este revés não apenas expõe as complexas divisões internas do STF, mas também configura uma derrota significativa para o governo Lula, que vê sua capacidade de influência na mais alta corte do país abalada.

Messias obteve apenas 34 votos favoráveis, ficando aquém dos 41 necessários para a aprovação definitiva de sua nomeação. A margem de rejeição surpreendeu até os governistas mais pessimistas. A expectativa era de que ele, ao menos, atingisse o mínimo exigido, mesmo que não chegasse aos 47 votos que Flávio Dino conquistou em uma indicação anterior.

Divisão interna no Supremo Tribunal Federal como pano de fundo

A equipe de Messias realizou uma autocrítica sobre o que poderia ter sido feito de forma diferente para evitar a reprovação. Um dos diagnósticos apontados por pessoas próximas ao indicado é que o STF vive atualmente uma divisão clara em torno de temas sensíveis, como a crise do Banco Master e o Código de Ética proposto pelo ministro Edson Fachin.

Nesse cenário de polarização, o apoio de André Mendonça teria sinalizado ao restante da Corte que Messias tenderia a se alinhar a um grupo específico dentro do tribunal. "Messias abraçou Mendonça e foi abraçado pelo ministro. Isso gerou a interpretação dentro do Supremo de que Messias se juntaria ao grupo de Mendonça", explicou o analista político Matheus Teixeira durante o Live CNN.

O grupo oposto, segundo o entorno de Messias, seria integrado por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin — magistrados descritos como tendo maior interlocução com o Senado Federal, com a classe política e com o Congresso Nacional. A percepção de que Messias não se aproximaria desse grupo teria gerado resistência e contribuído diretamente para sua derrota. É importante ressaltar que a decisão do Senado é final e não cabe recurso, sacramentando o impedimento da nomeação.

Derrota atribuída ao governo Lula, não apenas ao indicado

O diagnóstico geral do entorno de Messias e do Palácio do Planalto é claro: a reprovação representou, em maior medida, uma derrota do governo Lula do que do próprio Jorge Messias. A votação evidenciou a dificuldade do Poder Executivo em articular o apoio necessário para seus indicados em um Congresso cada vez mais autônomo e ciente de seu poder.

Histórico de aprovações no Supremo Tribunal Federal revela padrões recorrentes

Teixeira ainda traçou um paralelo com indicações anteriores ao STF para contextualizar a magnitude da derrota. No governo de Dilma, Luiz Fux foi aprovado com ampla unanimidade, enquanto Edson Fachin enfrentou dificuldades maiores. Já no governo de Jair Bolsonaro, Nunes Marques foi aprovado com apenas 10 votos contrários e 57 favoráveis, ao passo que André Mendonça obteve 47 votos a favor e 32 contra. No governo Lula, Cristiano Zanin foi aprovado com 58 votos e 18 contrários, número que caiu para 47 no caso de Flávio Dino — e despencou para apenas 34 na votação de Jorge Messias, marcando um novo patamar de dificuldade para as indicações presidenciais.

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