REVÉS NO SENADO

Senado rejeita Jorge Messias e impõe revés a Lula no STF

Jorge Messias, advogado-geral da União, com expressão séria em frente a um fundo institucional.
Jorge Messias em Brasília, após votação no Senado Federal.

Nomeação não alcançou os 41 votos mínimos, com 34 favoráveis e 42 contrários, expondo tensões entre poderes.

A decisão do Senado Federal de rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, representa um significativo revés político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e um duro golpe para a trajetória de um dos principais nomes da Advocacia-Geral da União. Com apenas 34 votos favoráveis e 42 contrários, o advogado-geral não alcançou o mínimo de 41 apoios exigidos, expondo as profundas tensões entre o Legislativo e o Executivo e o intrincado jogo de forças dentro do próprio Judiciário, impactando diretamente a governabilidade e a composição da mais alta corte do país.

A votação, que ocorreu no plenário do Senado, confirmou a falta de articulação política esperada pelo Planalto. A rejeição ao nome de Messias é definitiva para esta indicação, forçando o governo a apresentar um novo candidato para a cobiçada cadeira no Supremo.

Após o resultado, Jorge Messias recorreu às redes sociais para expressar gratidão pelo apoio recebido, em um gesto que humaniza o impacto pessoal da derrota. Ele direcionou mensagens a ministros do STF como Gilmar Mendes e André Mendonça. Ao decano Gilmar Mendes, Messias afirmou que as palavras serviram como "inspiração" para seu compromisso com o sistema de Justiça. Já ao ministro André Mendonça, a quem se referiu como "irmão", destacou que o apoio foi "uma das maiores honras de sua trajetória", elogiando sua "integridade, bondade e coerência". Mais cedo, Messias também publicou um versículo do livro de Salmos, que transmite uma mensagem de resiliência: "não há medo de dez mil inimigos que me cercam de todos os lados".

Os bastidores políticos já indicavam que a nomeação de Messias, proposta em novembro de 2025, tensionava a relação entre o Congresso Nacional e o governo. Fontes do Planalto revelaram que uma ala do próprio STF teria agido para enfraquecer o apoio ao indicado no Senado. O alinhamento de Messias com André Mendonça e sua defesa de um Código de Ética para a magistratura geraram resistência entre alguns integrantes da Corte, incluindo opositores conhecidos como os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino.

Para tentar reverter o cenário desfavorável, o ministro Cristiano Zanin chegou a articular um jantar com a presença do senador Alcolumbre, a pedido do presidente Lula, buscando reduzir as resistências ao nome de Messias. Contudo, os esforços não foram suficientes para garantir a aprovação, culminando na derrota confirmada nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026.

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